Adoecimento Mental no Ambiente Corporativo: Um Desafio Estrutural
O Brasil ultrapassou a marca de meio milhão de afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, indicando um cenário de adoecimento em larga escala no ambiente corporativo. De acordo com um estudo da Gupy, com base em dados da Previdência Social, foram registrados mais de 546 mil afastamentos no período.
Os dados revelam que o adoecimento mental não é mais uma questão individual, mas sim um fenômeno coletivo, diretamente associado às condições e à organização do trabalho. Além disso, o estudo aponta que pelo menos quatro em cada 10 profissionais já sinalizam algum nível de risco de adoecimento mental.
Setores com Maior Incidência de Burnout
O setor de varejo/atacado lidera o ranking de segmentos com maior incidência de burnout em níveis críticos, com 10,79% dos profissionais nessa faixa. Em seguida, aparecem educação, com 9,87%, e marketing/publicidade/comunicação, com 9,67%.
Os fatores que explicam esse avanço estão diretamente ligados à forma como o trabalho é estruturado, incluindo carga elevada de trabalho, metas e prazos sob pressão constante, jornadas longas ou imprevisíveis, baixa autonomia e apoio insuficiente das lideranças.
Cultura “Always On” e Impacto na Saúde Mental
A incorporação acelerada de tecnologias e a conectividade permanente contribuíram para reduzir as fronteiras entre vida profissional e pessoal, consolidando um novo padrão de comportamento nas empresas. A cultura “always on” tende a se manifestar de formas distintas entre setores, mas vem se consolidando como um denominador comum nas organizações, ampliando o risco de esgotamento e dificultando o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Diante desse cenário, mudanças regulatórias começam a surgir como resposta ao avanço dos riscos psicossociais. A atualização da NR-1, que passa a exigir a inclusão desse tipo de risco na governança das empresas, é apontada como um avanço relevante, mas ainda inicial diante da complexidade do tema.
- Os principais desafios para as empresas incluem revisar práticas de gestão, modelos de trabalho e cultura corporativa para mitigar o risco de adoecimento mental.
- A implementação de políticas de saúde mental e bem-estar no trabalho é fundamental para reduzir o estresse e promover o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
- A conscientização e o apoio às lideranças são essenciais para criar um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
Em resumo, o adoecimento mental no ambiente corporativo é um desafio estrutural que exige mudanças profundas nas práticas de gestão, modelos de trabalho e cultura corporativa. As empresas devem priorizar a saúde mental e o bem-estar dos trabalhadores para promover um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
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