NR-1: Saúde Mental Vira Obrigação e Pode Impactar Caixa das Empresas
A entrada em vigor da atualização da NR-1, prevista para 26 de maio, marca uma virada de chave na forma como as empresas lidam com funcionários, produtividade e risco no Brasil. A norma consolida a inclusão dos riscos psicossociais na gestão de saúde e segurança do trabalho, tornando a saúde mental uma responsabilidade corporativa com impacto direto no resultado financeiro.
Os números confirmam a percepção: em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,66% em relação a 2024. Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimam que depressão e ansiedade sejam responsáveis por muitas perdas de dias de trabalho por ano, com um custo próximo de US$ 1 trilhão para a economia mundial.
Impacto no Caixa das Empresas
O problema da saúde mental chegou à mesa da diretoria, que precisou começar a contabilizar os prejuízos com afastamentos, tratamentos, turnover e queda de produtividade. As perdas também bateram no sistema público de saúde e Previdência, levando o governo a adotar medidas para detectar e conter o problema antes que ele virasse uma bola de neve.
Segundo especialistas, a implementação da NR-1 não foi tão simples, muito menos barata. Por isso, a implementação da norma, que deveria entrar em vigor em 2025, foi prorrogada para dia 25 de maio deste ano. E ainda existem muitas empresas que estão com a fase de adaptação.
Abordagem Mais Estruturada e Baseada em Dados
Para quantificar os problemas, uma das estratégias mais relevantes impulsionadas pela NR-1 é a exigência de uma abordagem mais estruturada e baseada em dados. Dessa forma, as empresas já começam a adotar ferramentas de diagnóstico para mapear riscos psicossociais antes que eles se traduzam em afastamentos ou ações trabalhistas.
Algumas das principais mudanças incluem:
- Identificar, monitorar e mitigar fatores de risco psicossociais dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR);
- Olhar com lupa como está funcionando a cultura organizacional e a ação das lideranças sobre os funcionários;
- Adotar ferramentas de diagnóstico para mapear riscos psicossociais.
Essas mudanças representam uma nova fase do mundo corporativo, onde a saúde mental deixa de ser um tema individual e passa a ser uma responsabilidade corporativa com impacto direto no resultado financeiro.
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