Ibovespa Fecha com Alta de Mais de 1% e se Aproxima do Patamar do Início da Guerra
O Ibovespa fechou no maior patamar desde 2 de março último, que foi também o primeiro dia útil após o início da guerra no Irã. A alta de hoje foi de 1,60%, aos 185.424,28 pontos, um ganho robusto de 2.915,14 pontos. É a terceira alta seguida.
Naquela segunda-feira, dia 2, o IBOV terminou a sessão com 189.307,02 pontos, uma alta de 0,28%. Da sexta-feira, 27 de fevereiro, último dia antes da guerra, até o término da sessão de hoje, o principal índice da Bolsa brasileira perdeu pouco mais de 3 mil pontos – tinha 188.786,98 pontos.
Foram 11 pregões no azul e 8 pregões no vermelho, desde que a guerra começou, sugerindo que o sentimento que prevalece é que os ativos brasileiros dão mais segurança nessa turbulência.
Hoje, porém, não foi só aqui: o sentimento global era de otimismo. Os principais índices em Nova York terminaram com ganhos confortáveis. O mesmo aconteceu nos mercados europeus. O petróleo caiu com amplitude, embora o Brent ainda esteja acima dos US$ 100. O ouro também caiu.
O real se valorizou, com o dólar comercial perdendo 0,65%, a R$ 5,220, mas quase ficou abaixo de R$ 5,20 (R$ 5,205 na mínima). E os DIs (juros futuros) desceram por toda a curva.
Proposta dos EUA
Tudo isso porque agora parece que é para valer: os EUA de fato se movimentaram em direção a um acordo que pudesse colocar um fim à guerra. A princípio, o Irã sinalizou uma abertura diplomática. Notícias deram conta de que as negociações podem acontecer nesta final de semana, no Paquistão. O mercado acreditou. O mundo acreditou.
Mas logo o Irã deu a entender que as propostas dos EUA eram excessivas. A resposta inicial dos persas não foi positiva. Foi pior: um líder militar iraniano zombou da tentativa norte-americana. E, no meio disso tudo, o governo Trump enviou mais contingente para o Oriente Médio, e Israel segue bombardeando o Líbano.
“Os EUA falam que estão negociando com o Irã, mas parece que esqueceram de combinar com o Irã. Os mercados ficam operando em cima deste tipo de notícia”, disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Warren Rena DTVM.
Mas o bom humor não é tão saem motivo assim. “Pode ser que estejamos convergindo para algum arrefecimento da guerra, o que faz com que volte a tese de cortes de juros, de expectativas de melhores resultados corporativos e de rali eleitoral”, resumiu Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, disse que “a grande expectativa é de que a negociação resulte em um ambiente de menor incerteza, mesmo que o acordo ainda não exista”.
Outro bom indício é que o presidente dos EUA, Donald Trump, remarcou o encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, que seria em março, mas a guerra impediu, para 14 e 15 de maio, acenando com a possibilidade de que, até lá, o próprio governo norte-americano já queira tratar a guerra como passado.
Pesquisas Eleitorais
Só que a forte alta do Ibovespa teve um outro impulso: pesquisas eleitorais. Uma delas mostra que Flavio Bolsonaro, pela primeira vez, aparece numericamente à frente do presidente Lula em um eventual segundo turno. Outra mostra que a desaprovação do atual presidente subiu a 61%. Os números parecem dizer ao mercado, que possui ojeriza ao nome de Lula: acredite.
Os dois assuntos se convergem quando, em pleno ano eleitoral, Lula tem que enfrentar o fantasma de uma inflação mais alta, depois de um período com ela controlada, caso os preços dos combustíveis de fato subam mais do que estão subindo. O governo tem visto pouco espaço para ação.
Poucos Ativos Recuam
No final da conta, apenas seis ativos do Ibovespa terminaram no vermelho. Azzas 2154 (AZZA3) puxou a fila, com menos 2,01%. O resto subiu, inclusive a Petrobras (PETR4),
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