Mal-estar entre ala do STF e Fachin trava aprovação de plano administrativo
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, submeteu à votação um relatório de 50 páginas intitulado “Plano estratégico de longo prazo” no dia 31 de março. O documento detalha a missão, visão de futuro, valores e objetivos da Corte de 2026 a 2031. No entanto, o processo administrativo foi interrompido devido a uma desconfiança de um ministro em relação a um trecho do documento.
O item “valores” destacava a necessidade de adoção de mecanismos para gestão de riscos de integridade no STF. Um ministro entendeu que esse dispositivo poderia abrir uma brecha para que Fachin emplacasse o código de conduta sem aprovação dos demais membros da Corte. Em seguida, o decano do STF, Gilmar Mendes, pediu vista do documento e suspendeu o julgamento.
Divergências no STF
Essa interrupção expôs um ponto de atrito entre uma ala do STF e o presidente da Corte. Alguns ministros disseram que o pedido de vista feito por Gilmar foi uma forma de dar um recado a Fachin, que defende a necessidade de criar regras claras de transparência e comportamento dos membros da Corte.
As divergências no STF se acentuaram após o escândalo do Banco Master, que colocou a Corte sob pressão. Fachin eleger como bandeira a necessidade de criar regras claras de transparência e comportamento dos membros da Corte, mas uma ala do STF, encabeçada por Gilmar, passou a apresentar resistência à ideia.
Divisão no STF
O STF está dividido em pelo menos dois núcleos de influência, com interesses e estratégias distintas. O primeiro é encabeçado por Alexandre de Moraes, que atua em coordenação com Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O segundo núcleo é liderado por Fachin, que se aliou a Cármen Lúcia no discurso de moralização da Corte.
Essa divisão reflete as disputas internas no STF, que sempre estiveram presentes, mas agora se acentuam devido ao escândalo do Banco Master e às divergências sobre o código de conduta. A insistência de Fachin no tema tem levado magistrados a questionar a gestão do chefe do Poder Judiciário.
- Os ministros do STF estão divididos sobre a criação de regras claras de transparência e comportamento dos membros da Corte.
- A insistência de Fachin no tema tem levado magistrados a questionar a gestão do chefe do Poder Judiciário.
- O STF está sob pressão devido ao escândalo do Banco Master e às divergências internas.
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