Spreads Baixos e Saques Acendem Alerta no Crédito Privado
O mercado de crédito privado brasileiro está passando por um momento de transição, com uma mudança significativa na dinâmica de preços e no comportamento dos investidores. De acordo com Felipe Vidal, gestor de fundos da Sparta Investimentos, o principal ponto de atenção na carteira de investimentos não é mais apenas o risco de calote, mas sim o risco de marcação a mercado.
Com a taxa Selic em patamares elevados, o custo financeiro para as empresas continua sendo um desafio. No entanto, o gestor da Sparta aponta que o foco de preocupação do mercado mudou. “O preço dos ativos está elevado, ou seja, o spread (prêmio de risco) está baixo. O impacto de segunda ordem que nos preocupa hoje é a abertura de spreads por conta de fluxo”, explica Vidal.
Preocupações com o Mercado
Essa preocupação se justifica pela matemática dos fundos. Como os prêmios estão muito comprimidos, o mercado perdeu o seu “colchão” para absorver oscilações. Isso tem gerado uma volatilidade à qual o investidor pessoa física não estava acostumado. Além disso, a Sparta notou que uma amostra representativa de fundos de crédito registrou resgates líquidos de R$ 3 bilhões recentemente, o que é um sinal amarelo para o mercado.
- O fluxo de novos recursos para os fundos está desacelerando.
- A perspectiva de um mercado primário mais tímido em 2026.
- A necessidade de uma postura defensiva para lidar com a incerteza do mercado.
Diante dessa assimetria desfavorável, a Sparta adotou uma postura defensiva, mantendo o nível de caixa de seus fundos em patamares elevados há mais de um ano. “Nós achamos que o risco-retorno de alocar no preço atual é ruim. Por isso, preferimos manter em caixa. Não vislumbramos no curto prazo reduzir esse caixa, a menos que haja um movimento de reversão de preços”, afirma o gestor.
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