O que fez o estrangeiro trazer R$ 12 bi para a Bolsa brasileira apesar da guerra?
Os investidores estrangeiros não param de trazer dinheiro para a bolsa brasileira, mesmo com a guerra no Irã. Em março, foram R$ 12 bilhões, elevando o acumulado no ano para R$ 53,8 bilhões, segundo dados da B3. Isso permitiu ao Ibovespa fechar março em queda de 0,7%, mas ainda acumulando alta de 16,25% no ano.
A explicação para esse interesse começa antes da guerra, explica Luciano Telo, executivo-chefe de investimentos para o Brasil no UBS Global Wealth Management. Até 28 de fevereiro, havia tendência clara de reposicionamento dos investimentos e redução nos Estado Unidos diante da proposta de reindustrialização do presidente Donald Trump e de enfraquecimento do dólar.
Além disso, o Brasil se destaca entre os países da América Latina, com alta de 18,5% em dólar no ano, enquanto o México sobe 6%, o Chile cai 3% e o próprio S&P500 cai 7%. O câmbio também ajuda, com o dólar caindo 5% no ano em reais, enquanto o DXY, índice do dólar contra as principais moedas, sobe 1,7%.
- O fluxo de recursos é muito grande e os gestores procuram países com mercados e economias grandes também.
- O Brasil virou o ano com preços de ações muito descontados em relação aos outros emergentes.
- O juro aqui está muito alto, em 14,75%, mas com perspectiva de corte, enquanto outros países estudam subir suas taxas básicas.
Os estrangeiros estão comprando basicamente ações de primeira linha, como as empresas de commodities, que estão entre as preferidas pelos estrangeiros no mundo e são bem representadas no Brasil e no Índice Bovespa. Além disso, o setor financeiro é um setor lucrativo e bastante líquido.
Para investir nesse cenário, é recomendado ter uma carteira diversificada, com fundos de ações, para garantir maior diversificação e contar com um gestor que escolha o melhor momento para comprar. Além disso, os temas preferidos são as ações pagadoras de dividendos, infraestrutura e setor elétrico.
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