Messias tem menor margem de votação na CCJ desde 2002 e acende alerta no governo
A aprovação de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, por 16 votos a 11, foi abaixo do esperado pelo Palácio do Planalto e registrou a menor margem entre indicados ao Supremo Tribunal Federal desde ao menos 2002.
O governo trabalhava com a expectativa de alcançar ao menos 18 votos favoráveis, o que não se confirmou. O placar apertado ocorre após uma semana de intensificação das negociações políticas. Nos dias que antecederam a sabatina, o governo empenhou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares, em um movimento para reforçar a base e reduzir resistências à indicação.
Mesmo com o esforço, o resultado expõe fragilidade na articulação e levanta dúvidas sobre o desempenho do indicado no plenário do Senado, onde são necessários ao menos 41 votos para a aprovação definitiva.
Votações anteriores
Indicações recentes passaram pela CCJ com margens mais amplas, ainda que sob contestação. Algumas das votações anteriores incluem:
- André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL), foi aprovado por 18 a 9.
- Alexandre de Moraes, nome de Michel Temer (MDB), teve 19 votos a favor e 7 contra.
- Edson Fachin, indicado por Dilma Rousseff (PT) em meio à crise política de 2015, obteve 20 a 7.
O desempenho de Messias reflete um ambiente mais fragmentado no Senado. A indicação enfrentou resistência desde o anúncio e ocorreu em meio a tensões entre Executivo e Legislativo, além da pressão da oposição para ampliar o custo político da votação.
No plenário, a exigência de maioria absoluta amplia o peso da negociação política. O resultado da CCJ, embora suficiente para avançar, funciona como sinal de alerta sobre a margem de segurança do governo na votação final.
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