Ibovespa hoje fecha quase estável, em dia de cautela e realização de lucros
O Ibovespa fechou esta segunda-feira com leve baixa de 0,08%, aos 178.720,68 pontos, uma perda de 137,86 pontos, depois de cinco altas seguidas e uma semana estupenda, com a maior valorização desde abril de 2020.
Natural, o investidor resolveu realizar lucros. Mas, segundo o Bradesco BBI, encontros recentes com investidores em Wall Street reforçaram a visão de que “os EUA estão cada vez mais sendo percebidos como um ‘mercado emergente populista’.
Essa comparação, que antes era anedótica, agora se tornou mais disseminada entre os investidores”, e a Bolsa brasileira passou a ser vista como o único mercado da América Latina capaz de absorver volumes relevantes de capital estrangeiro, o que reforça seu papel como porta de entrada regional.
“O Brasil é o mercado âncora da América Latina e o único com liquidez verdadeiramente escalável na região”, dizem os analistas.
Isso em uma semana marcada pela Super Quarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos EUA decidem suas novas taxas juros – que nem devem ser tão novas assim, na projeção dos especialista, já que ambos devem mantê-las inalteradas.
É, portanto, terreno natural para a cautela.
O dólar comercial caiu 0,13%, a R$ 5,280, também por conta da fraqueza externa da moeda americana, com recuo do índice DXY puxado pela valorização do iene, após sinais de possível intervenção do governo japonês em coordenação com os EUA, segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
Os DIs (juros futuros) recuaram por toda a curva.
Tensão geopolítica continua
A aparente calmaria desta segunda-feira, com cautela e prudência, ingredientes principais da canja de galinha dos investidores, não esconde, entretanto, o receio que ainda paira nos ares globais.
O governo Trump segue aprontando das suas tensões, com envio de porta-aviões para o Oriente Médio, notícia que não teve poder dessa vez de fazer o petróleo subir, apenas o incômodo mundial.
Sem contar com a nova ameaça de tarifar co Canadá, por um acordo de livre-comércio com a China.
O país asiático seguiu tentando colocar água fria na fervura e disse que mantém diálogo com EUA, defendendo a cooperação para estabilidade econômica global.
Falta combinar com a outra parte.
“A situação continua muito instável. Ninguém parece particularmente preocupado com a possibilidade de a ameaça de Trump de impor tarifas de 100% sobre o Canadá se concretizar (especialmente porque as autoridades canadenses, incluindo Carney, insistem que o país não está negociando um acordo de livre comércio com a China), mas o uso constante de impostos de importação como instrumento de pressão para aliados continua a corroer lentamente a confiança”, disse à CNBC Adam Crisafulli, da Vital Knowledge.
Mesmo assim, os principais índices em Nova York terminaram positivos, bem como as Bolsas na Europa.
A desconfiança persiste, apesar do avanço.
Ambiente doméstico favorável
Como se viu, bom para o Brasil.
Até 21 de janeiro, estrangeiros já haviam aportado mais de R$ 12 bilhões na bolsa brasileira, o maior ingresso em um único mês desde dezembro de 2023.
O ambiente de negócios parece favorável e hoje o presidente Lula conversou com Trump, acertando um encontro em Washington para breve.
A perspectiva é ainda melhor.
As expectativas de inflação seguem recuando, como mostra o Boletim Focus desta semana.
Mas o Banco Central deve cortar a Selic só mesmo em março, segundo os analistas, que dão o movimento como algo certo, o que atrairia ainda mais espaço para entrada de capital no Brasil e, possivelmente, novos recordes na Bolsa.
Vale em queda ampla e Petrobras em alta
Hoje, a Vale (VALE3) devolveu um bom pedaço dos ganhos recentes e caiu 2,29%, incluindo aí uma ajuda da baixa do minério de ferro do outro lado do mundo.
A mineradora é uma das 28 ações que atingiram a máxima recorde em janeiro, em meio ao bom momento do Ibovespa.
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