Quanto tempo leva uma sabatina do STF no Senado?
As sabatinas de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) no Senado têm se tornado cada vez mais longas e expostas politicamente nas últimas décadas. De acordo com um levantamento do Estadão, com base em registros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o tempo médio dessas sessões já ultrapassa sete horas.
O processo de sabatina combina avaliação técnica e pressão política, envolvendo um maior volume de perguntas e exploração de temas sensíveis. Em média, as sabatinas duram 7 horas e 24 minutos, com casos recentes que ultrapassam esse patamar.
Sessões mais longas e mais curtas
A sessão mais longa entre os atuais ministros foi a de Edson Fachin, em 2015, que se estendeu por 12 horas e 39 minutos. No extremo oposto, Cármen Lúcia teve a sabatina mais curta, em 2006, com pouco mais de duas horas.
A diferença de duração reflete o aumento da disputa política em torno das indicações. As sabatinas mais extensas tendem a concentrar questionamentos sobre posições públicas dos indicados e temas de alta sensibilidade.
Pressão maior e temas mais amplos
O aumento da pressão também aparece na frequência de intervenções. Alexandre de Moraes, por exemplo, falou 82 vezes em sua sabatina, que durou mais de 11 horas.
As sabatinas mais antigas mostram um padrão distinto. Luiz Fux, aprovado em 2011 com 68 votos no plenário, passou por uma sessão de menos de quatro horas.
Tempo virou indicador político
O alongamento das sabatinas acompanha o aumento da polarização no Senado e o maior escrutínio sobre os indicados. Sessões mais longas tendem a sinalizar maior resistência ou necessidade de exposição pública das posições do candidato.
A duração, no entanto, não determina o resultado final. Mesmo nos casos mais tensos, as indicações foram aprovadas tanto na CCJ quanto no plenário.
Veja o tempo de sabatina de cada ministro do Supremo Tribunal Federal:
- Gilmar Mendes (2002): 4 horas e 39 minutos
- Cármen Lúcia (2006): 2 horas e 10 minutos
- Dias Toffoli (2009): 7 horas e 18 minutos
- Luiz Fux (2011): 3 horas e 58 minutos
- Rosa Weber (2011): 6 horas e 31 minutos
- Luís Roberto Barroso (2013): 7 horas e 22 minutos
- Edson Fachin (2015): 12 horas e 39 minutos
- Alexandre de Moraes (2017): 11 horas e 39 minutos
- Nunes Marques (2020): 10 horas e 1 minuto
- André Mendonça (2021): 7 horas e 55 minutos
- Flávio Dino (2023): 10 horas e 52 minutos
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