Por que o Ibovespa caiu 1,65% enquanto Nasdaq e S&P500 renovaram recordes?
O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira, reflexo de movimentos de realização de lucro e reprecificação de risco, com as ações dos bancos entre as principais pressões negativas.
Além disso, o mercado também se ajusta à sessão negativa dos ADRs na véspera, com o índice de referência fechando em queda de 1,02% na terça-feira. O Ibovespa recuou 1,65%, a 192.888,95 pontos, de acordo com dados preliminares.
A queda só não foi maior pelo efeito proporcionado por Petrobras, que mais uma vez acompanhou a alta do petróleo, com ganhos superiores a 3% em Londres e Nova York na sessão.
Entre as principais blue chips, a correção no setor financeiro, o de maior peso no índice, ficou entre -2,66% e -3,62% no fechamento. E Vale ON, principal papel do Ibovespa, recuou 1,70%, na mínima do dia no encerramento.
Em Nova York, os principais índices de ações mostraram alta de 0,69% (Dow Jones), 1,05% (S&P 500) e 1,64% (Nasdaq), em que tanto a referência ampla (S&P 500) como a de tecnologia (Nasdaq) renovaram recordes.
Os investidores também acompanham a publicação dos balanços corporativos. Os índices recuperaram parcialmente as perdas registradas nos últimos dias, após a declaração de que a trégua no Oriente Médio está mantida, feita pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Na B3, na ponta ganhadora, destaque para as ações do setor de energia: além de Petrobras, apareceram PetroReconcavo e PRIO. Hapvida também foi bem, em alta de 2,18% no fim do dia.
No lado oposto, Cogna, Embraer e Yduqs foram as principais perdedoras. “Ontem, sem negócios na B3 pelo feriado de Tiradentes, o dia não havia sido legal para as ADRs brasileiras em Nova York, então na sessão de hoje prevaleceu um alinhamento, um catch up, em relação ao que se viu na terça-feira por lá”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.
Ele observa ainda que apesar da relativa distensão geopolítica, em especial com a extensão do cessar-fogo anunciada na terça-feira pelo governo dos EUA em relação ao Irã, as negociações têm se mostrado, até o momento, longe de uma “linearidade” que conduza a um cenário de superação do conflito.
Permanece a disfunção na passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz, com efeito direto sobre os preços, o custo da energia, em nível global, acrescenta o analista.
Os especialistas também destacam que a alta do petróleo, impulsionada pela instabilidade geopolítica, recoloca pressão inflacionária no cenário global e contamina diretamente a curva de juros, o que explica a queda mais intensa em bancos e ativos domésticos.
Em resumo, o Ibovespa caiu 1,65% devido a uma combinação de fatores, incluindo a realização de lucro, reprecificação de risco e ajuste ao movimento dos ADRs na véspera, enquanto os índices dos EUA renovaram recordes.
- Ibovespa: -1,65%
- Nasdaq: +1,64%
- S&P 500: +1,05%
- Dow Jones: +0,69%
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