Petróleo a US$ 100? Impacto da guerra na inflação pode ser suavizado, diz economista
A recente escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã e o crescente temor de um choque na oferta de petróleo voltaram a colocar a inflação e a trajetória da taxa Selic no centro das preocupações do mercado financeiro no Brasil.
Embora cenários de estresse já estejam no radar, o impacto efetivo na economia brasileira pode ser mais contido e menos imediato do que o precificado pelas alas mais pessimistas. Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, a economia nacional “tende a apresentar resiliência relativamente elevada a um choque de petróleo, com impacto agregado provavelmente moderado”.
O especialista aponta que a transmissão da crise internacional para o Brasil ocorreria por três canais principais: a inflação, a atividade doméstica e as contas externas. No entanto, a política de preços da Petrobras, que não segue mais de forma automática a paridade de importação (PPI), atua como um amortecedor, suavizando movimentos externos e reduzindo a transmissão imediata e integral do choque internacional para os preços na bomba.
- O aumento de 10% na gasolina adiciona algo entre 20 e 25 pontos-base ao IPCA;
- O diesel tende a afetar a inflação de maneira mais indireta, via custos de transporte e cadeia produtiva;
- O efeito inflacionário pode aparecer em um horizonte de dois a quatro meses, caso o encarecimento do petróleo se combine a uma eventual depreciação do real.
O horizonte de tempo em que esse choque atinge o bolso do consumidor também difere entre os analistas. Enquanto parte do mercado vê a alta dos combustíveis como um problema potencial já para os próximos 15 a 30 dias, a análise do ASA projeta que o efeito inflacionário demande mais tempo para se consolidar no varejo.
Essa janela de tempo mais dilatada é fundamental para entender os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne nos dias 17 e 18 de março para deliberar sobre os juros. Embora o mercado tema que o Banco Central hesite em iniciar ou manter os cortes da Selic, Costa avalia que a autoridade monetária não deve agir por impulso.
O pré-sal impede choques maiores do lado da atividade, pois o Brasil possui uma barreira de proteção que não existia em choques do passado: a forte produção interna. O efeito líquido pode ser menos adverso do que em episódios passados, dado o aumento da participação do setor de petróleo na economia, com expansão relevante da produção no pré-sal, maior investimento e geração de renda.
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