Tesouro Direto: Juros Prefixados Tocam Máximas de 12 Meses com Pressão dos EUA
As taxas do Tesouro Direto abriram em alta nesta terça-feira, impulsionadas por dois vetores simultâneos: a alta dos rendimentos dos Treasuries americanos e o risco político eleitoral e o impasse no Estreito de Ormuz no Brasil.
Nos prefixados, a variação foi contida, mas levou alguns papéis para próximo do maior patamar em 12 meses. O Prefixado 2032 avançou levemente para 14,33%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 saltou para 14,40%, ambas novamente muito perto das máximas anuais atingidas na sexta-feira.
Nos títulos de inflação, a abertura foi para cima em toda a curva. O Tesouro IPCA+ 2040 avançou 3 pontos-base para 7,33%, de 7,30%, e o IPCA+ 2050 avançou de 7,01% para 7,05%. Já o IPCA+ 2060 com juros semestrais foi negociado a 7,23%, ante 7,21% na véspera.
Pano de Fundo Global
O pano de fundo global é de forte pressão sobre os títulos soberanos em todo o mundo. Os rendimentos dos títulos de 30 anos do Tesouro americano superaram o patamar psicológico de 5% e avançaram para 5,125%, o nível mais alto desde junho de 2007.
A pressão vem de uma onda de vendas que se estendeu além dos EUA: os rendimentos dos gilts britânicos de 30 anos atingiram o nível mais alto desde 1998, enquanto o rendimento dos títulos do governo japonês de 30 anos chegou ao seu maior patamar histórico.
Causas da Alta Global dos Juros
O gatilho para a alta global dos juros foi a aceleração da inflação americana, diretamente ligada ao choque de energia provocado pelo conflito no Oriente Médio. A inflação ao consumidor subiu para 3,8% no mês passado, a leitura mais alta desde maio de 2023.
Com isso, os mercados eliminaram completamente qualquer possibilidade de um corte nas taxas do Fed este ano e passaram a considerar crescente probabilidade de uma elevação antes do final do ano.
- O Barclays alertou seus clientes que os rendimentos dos Treasuries podem ultrapassar os 5,5%, nível visto pela última vez em 2004.
- A pressão tem origem dupla: incerteza eleitoral e impasse no Estreito de Ormuz.
- O Ibovespa futuro cai no mesmo ambiente, e o dólar opera em leve alta, contribuindo para sustentar as taxas no patamar elevado em que se encontram.
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