Estupro de Vulnerável: Um Crime com Pouca Punição no Brasil
O Brasil enfrenta um desafio significativo na punição de casos de estupro de vulnerável. De acordo com um levantamento realizado pela Folha de S. Paulo, apenas 2,8% dos casos resultam em punição. Isso significa que a maioria dos processos não chega a uma decisão de mérito, com 93% dos casos encerrados entre 2020 e janeiro de 2026 sendo arquivados antes de uma sentença que condene ou absolva o réu.
A principal barreira está na fase inicial do processo, conhecida como fase de conhecimento. Nesse estágio, o juiz analisa provas e decide o mérito da ação. No entanto, a maioria dos casos não ultrapassa esse ponto, o que impede que os réus sejam punidos.
- 70% dos réus seguem sem condenação;
- 11,4% foram absolvidos;
- 60% não tiveram decisão final em primeira instância.
O volume de casos também é alarmante. Foram mapeados 325,7 mil processos envolvendo estupro de vulnerável no país, entre julgados, pendentes ou inativos desde 2020. Esse tipo de crime representa três em cada quatro ações por estupro no Brasil.
A legislação define estupro de vulnerável como qualquer ato sexual com menores de 14 anos ou pessoas sem capacidade de consentimento. O entendimento foi reforçado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025.
Diversos fatores explicam por que os processos não avançam, incluindo morte do réu, prescrição, abandono da ação, desistência da vítima e falhas processuais. Mesmo quando o processo segue adiante, há demora. A decretação de prisão definitiva, quando ocorre, leva em média 3,6 anos desde o início da ação.
É fundamental que sejam tomadas medidas para melhorar a eficiência do sistema judiciário e garantir que os réus sejam punidos. Isso inclui a implementação de políticas para prevenir a violência contra crianças e adolescentes, bem como a capacitação de profissionais da área de saúde e segurança para lidar com esses casos.
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