Setor Produtivo Reage à Manutenção da Selic em 15% ao Ano
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano teve uma repercussão negativa significativa entre representantes da indústria, da construção civil e de entidades sindicais. Essas entidades apontam impactos diretos sobre o crescimento econômico, o crédito e o emprego como principais consequências dessa decisão.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o atual patamar dos juros impõe um custo elevado à economia e desconsidera a trajetória recente de desaceleração da inflação. O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de flexibilização monetária, considerando a evolução da inflação.
Algumas das principais críticas e preocupações incluem:
- A inflação corrente e as expectativas inflacionárias estão caminhando para o centro da meta, o que sugere que a taxa de juros poderia ser ajustada.
- A taxa real de juros segue em torno de 10,5% ao ano, cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central.
- Os juros elevados restringem o crédito imobiliário, reduzem a demanda por novos empreendimentos e dificultam a viabilização de projetos.
Centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical, reagiram de forma mais dura, afirmando que a manutenção da Selic penaliza a população e favorece a especulação financeira em detrimento do setor produtivo. A CUT destacou que juros altos encarecem o crédito, reduzem o consumo e resultam em menos empregos.
Apesar das críticas, o Copom manteve a Selic pela quinta vez consecutiva em 15% ao ano, o maior nível desde 2006. Essa decisão veio em linha com a expectativa da maioria dos analistas de mercado, em um cenário de inflação ainda acima da meta, incertezas fiscais e riscos externos.
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