Saúde Mental e Fertilidade: Novas Frentes de Negócios
A transformação das empresas brasileiras está ocorrendo não apenas nos algoritmos ou na inteligência artificial, mas também nas salas de decisão. A ascensão de novas vozes, especialmente de mulheres em posições de liderança, está forçando uma revisão profunda sobre o que define o sucesso corporativo.
Em um painel recente, três executivas discutiram como temas antes relegados ao âmbito privado, como saúde mental e fertilidade, tornaram-se ativos estratégicos e, em alguns casos, exigências legais. Para Heloisa Rios, a governança corporativa está em uma jornada de amadurecimento, onde a verdadeira liderança transformadora opera pelo design, integrando o impacto humano e a sustentabilidade ao core business.
A Saúde Mental como Exemplo
A saúde mental é o exemplo mais claro dessa transição. A fundadora da Vittude, Tatiana Pimenta, lembra que o setor nasceu de uma lacuna de acesso e de uma visão de engenharia, antecipando que o burnout se tornaria uma doença ocupacional com custos previdenciários e trabalhistas claros para as empresas.
A mudança no CID-10 para o CID-11 sinalizou que a saúde mental se tornaria um passivo para as organizações, catapultando o crescimento da Vittude, que multiplicou 12 vezes de tamanho entre 2020 e 2022. Isso reflete um mercado que deixou de ver o bem-estar como algo acessório.
A Fertilidade como Benefício
A fertilidade começa a ocupar o mesmo espaço que a saúde mental. Cris Rego, à frente do Fert Group, aponta que o tema não é apenas uma questão médica, mas uma ferramenta de autonomia feminina que impacta diretamente a retenção de talentos.
O Fert Group lançou um modelo de benefício corporativo que funciona como um plano de saúde, permitindo que colaboradoras acessem tratamentos de alto custo, como o congelamento de óvulos, com privacidade e sem a necessidade de pedir reembolso ao RH, eliminando o estigma que ainda cerca o tema.
As líderes defendem que a diversidade é um motor de performance financeira e que a solução para a equidade passa pela intencionalidade. O consenso é que, em dez anos, a discussão sobre “liderança feminina” seja obsoleta, e que a competência e a diversidade sejam a norma, e não a exceção.
As empresas estão começando a entender que, por trás de cada CNPJ, existem CPFs cujas necessidades não podem mais ser ignoradas. A saúde mental e a fertilidade são apenas o começo de uma jornada de amadurecimento que pode levar a um mercado mais justo e equitativo.
- Saúde mental e fertilidade são temas que antes eram relegados ao âmbito privado, mas agora são considerados ativos estratégicos e exigências legais.
- A governança corporativa está em uma jornada de amadurecimento, onde a verdadeira liderança transformadora opera pelo design.
- A diversidade é um motor de performance financeira e a solução para a equidade passa pela intencionalidade.
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