Preços sazonais afetam prévia do IPCA de janeiro, mas serviços ainda preocupam
O primeiro IPCA-15 do ano, divulgado pelo IBGE, ficou em 0,20%, abaixo tanto do índice de dezembro (0,25%) como da mediana das projeções. No entanto, o indicador acumulou alta de 4,50% nos últimos 12 meses, acima dos 4,41% observados em dezembro.
De acordo com Matheus Pizzani, economista do PicPay, o resultado não deve ser confundido com uma composição essencialmente benigna do indicador de inflação. O grupo Alimentação e Bebidas, que tem o maior peso no índice, acelerou na passagem de dezembro (0,13%) para janeiro (0,31%).
As altas nos preços de tomate (16,28%), batata-inglesa (12,74%), frutas (1,65%) e carnes (1,32%) contribuíram para o resultado. Já os grupos Habitação e Transportes apresentaram deflação, de 0,26% e 0,13%, respectivamente.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o resultado aponta para uma piora na margem, assim como aconteceu com o IPCA cheio de dezembro. A média dos núcleos saltou de 0,32% para 0,43%, enquanto a inflação de serviços recuou de 0,7% para 0,15%.
Os economistas citados não acreditam que os dados divulgados possam ter influência na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira. A maioria dos especialistas opina que a decisão será de manutenção da taxa Selic em janeiro, com o início dos cortes previsto para março.
Alguns pontos importantes a serem considerados:
- A inflação de serviços continua a ser um foco de atenção, com alta de 5,6% até janeiro.
- A média móvel de três meses dessazonalizada e anualizada registrou deterioração tanto na média dos núcleos quanto nos serviços intensivos em mão de obra.
- O banco central continuará a monitorar a inflação e tomar decisões de política monetária com base nos dados disponíveis.
Em resumo, os preços sazonais afetaram a prévia do IPCA de janeiro, mas os serviços ainda são uma preocupação. Os economistas esperam que o Comitê de Política Monetária mantenha a taxa Selic em janeiro e inicie os cortes em março.
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