bukib
0 bukibs
Columbus, Ohio
Hora local: 10:13
Temperatura: °C
Probabilidade de chuva: %

Por que a inflação de alimentos não vai salvar o atacarejo? Veja o que diz o JPMorgan

Por que a inflação de alimentos não vai salvar o atacarejo?

O JPMorgan realizou um estudo sobre o setor de atacarejo no Brasil e concluiu que a inflação de alimentos não deve se traduzir em crescimento real de receita para as empresas do setor. Isso ocorre devido ao forte endividamento das famílias e à migração para produtos mais baratos.

Além disso, os analistas do JPMorgan identificaram uma nova dinâmica de consumo: as famílias estão desviando o orçamento para apostas online e medicamentos de perda de peso. Essa mudança nos hábitos de consumo está afetando o setor de atacarejo, que sente mais essas alterações, já que as famílias de média e baixa renda são o público-alvo tradicional do segmento.

  • Os dados da ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores) indicam que o orçamento doméstico está sofrendo com os desvios em direção a plataformas de apostas digitais e medicamentos voltados à perda de peso da classe GLP-1.
  • Aproximadamente 5% dos lares brasileiros já possuem algum integrante fazendo uso de medicamentos da classe GLP-1.
  • Cerca de 26% do total de famílias registraram envolvimento regular com apostas ao longo de 2025, um avanço de quase duas vezes na comparação anual.

O impacto financeiro direto desse ecossistema sobre o varejo de alimentos é expressivo. De acordo com os analistas do JPMorgan, os consumidores trocam partes do orçamento para alimentar as apostas, e essa substituição alcança números preocupantes: a categoria alimentícia sofre um corte de 47%, e a categoria de despesas residenciais se aproxima, com 45%.

A inflação prevista para os próximos meses não deve ajudar o setor, como antes esperado. O otimismo de que o avanço nos preços repassados ao consumidor poderia inflar o SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) esbarra em uma incapacidade histórica de execução operacional das companhias.

O JPMorgan realizou um estudo com dados da ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) cobrindo os anos de 2019 a 2025 e concluiu que nenhum dos operadores avaliados conseguiu expandir a produtividade de sua área de vendas acima da inflação do período.

Os analistas do JPMorgan preferem o Assaí em detrimento do Grupo Mateus, em função de tendências de operação consideradas ligeiramente superiores. No entanto, o banco optou por manter uma postura neutra para as ações da companhia, cortando o preço-alvo para R$ 9,50 ao fim de 2026.

Este conteúdo pode conter links de compra.

Fonte: link