Ex-presidente do BRB usou fundos da Reag para ocultar propina paga por Vorcaro
A Polícia Federal (PF) descobriu que o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, utilizou fundos geridos pela Reag Investimentos para ocultar o pagamento de propina na forma de imóveis bancados pelo dono do Master, Daniel Vorcaro. O valor total chegaria a R$ 146 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos ao então presidente do banco.
A propina foi paga em forma de seis apartamentos de luxo, quatro em São Paulo e dois em Brasília, com o objetivo de garantir a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito fraudulentas e inexistentes do Master. A PF também detectou que Vorcaro suspendeu a transferência dos imóveis em maio de 2025, após receber informações de que os fatos estavam sob apuração do Ministério Público Federal.
Para viabilizar o esquema e esconder a origem dos recursos, a investigação aponta o uso de fundos ligados à Reag Investimentos e de empresas de fachada por Vorcaro e Paulo Henrique Costa. A Reag Investimentos também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, sendo investigada por estruturar fundos de investimento usados para lavagem de dinheiro bilionária do PCC no setor de combustíveis.
A PF identificou que as empresas utilizadas para ocultar a propina eram “de prateleira”, ou seja, já existiam formalmente e foram adquiridas e adaptadas para a operação de blindagem patrimonial do então presidente do BRB. Em pouco tempo, tiveram nome, atividade, endereço e quadro societário alterados para atuar como intermediárias nas transações.
- O dinheiro saía de fundos ligados à Reag, passava por essas empresas e era usado na compra dos imóveis.
- Esse caminho dificultava o rastreamento dos recursos e escondia quem eram os verdadeiros beneficiários, criando uma aparência de legalidade para valores de origem ilícita.
- A documentação policial aponta que os imóveis eram tratados como um “cronograma pessoal” de Paulo Henrique Costa.
A defesa de Paulo Henrique Costa afirmou que a defesa “continua firme na convicção de que ele não praticou crime algum”. O ex-presidente do banco foi preso preventivamente na quarta fase da Operação Compliance Zero.
A Reag Investimentos, que custodiava ativos do Master, realizou uma manobra contábil que permitiu ao banco abater artificialmente cerca de R$ 560 milhões do valor devido ao BRB em compensações por operações fraudulentas. O Banco Central liquidou a Reag em janeiro.
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