ONG Ligada a Dark Horse Repassou R$1,3 Milhão da Prefeitura de SP a Dirigente da Entidade
O Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental (ONG) presidida por Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção do filme Dark Horse, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, está no centro de uma investigação policial. A ONG repassou R$1,3 milhão da Prefeitura de São Paulo a uma empresa cujo um dos sócios era dirigente da própria entidade.
Os repasses ocorreram no âmbito do convênio entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de 5.000 pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital paulista. A empresa beneficiada, Complexsys, tem como um de seus sócios Eduardo Franco, que também é dirigente do ICB. A contratação por ONGs de empresas de seus próprios dirigentes é vedada pela legislação, devido ao conflito de interesses.
Investigação e Conflito de Interesses
A Polícia Civil de São Paulo está investigando suspeitas de desvios da verba pública para o financiamento do filme inspirado na vida de Bolsonaro. O inquérito aponta suspeitas em notas fiscais da Complexsys, que emitiu notas no valor de R$2 milhões, cancelando-as no mesmo dia da emissão. Mesmo canceladas, as notas foram usadas pelo ICB para justificar despesas na prestação de contas apresentada à Prefeitura de São Paulo.
A contratação da Complexsys não foi a única a beneficiar um dirigente das organizações de Karina da Gama. O ICB também contratou um dirigente de outra ONG que ela preside, a Academia Nacional de Cultura (ANC), para prestar serviços de “divulgação” a um projeto social.
- O ICB assinou o convênio com a Prefeitura de São Paulo em junho de 2024.
- A ONG subcontratou empresas especializadas em tecnologia, incluindo a Complexsys.
- Eduardo Franco tornou-se dirigente do ICB em novembro de 2024, três meses após a assinatura do contrato com a Complexsys.
A investigação destaca a importância da transparência e do cumprimento da legislação nas contratações e repasses de recursos públicos. A Prefeitura de São Paulo, o Instituto Conhecer Brasil e Eduardo Franco não retornaram os contatos para comentar sobre o assunto.
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