O Mundo Pós-Caos: Cinco Anos da Pandemia e a Cicatriz de um Amazonas que Ainda Luta para Respirar
Manaus, Amazonas, marcou um período sombrio em sua história, quando o mundo parou devido à pandemia de Covid-19. Para milhares de famílias amazonenses, o tempo parece ter ficado suspenso em janeiro de 2021, quando o estado foi palco do chamado colapso do oxigênio, uma ferida aberta que ainda reverbera nos tribunais, nos hospitais e na memória coletiva da população.
Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a emergência global, o mundo passou por mudanças profundas. No Brasil, um dos epicentros da tragédia, os impactos vão além das estatísticas de mortes e se manifestam nas chamadas sequelas invisíveis da pandemia, incluindo:
- Saúde mental: crescimento expressivo dos casos de transtornos de ansiedade, depressão e esgotamento emocional, com aumento estimado de até 30% em diagnósticos relacionados ao trauma pós-pandêmico;
- Educação: aprofundamento do déficit educacional, com dados que apontam o dobro de crianças não alfabetizadas na idade adequada em comparação ao período anterior à crise sanitária;
- Covid longa: milhões de brasileiros ainda convivem com sintomas persistentes, como fadiga crônica, comprometimento cardiovascular e dificuldades cognitivas, conhecidas como “névoa cerebral”.
A ferida aberta do Amazonas é um lembrete constante do dia em que o ar faltou. O estado ainda enfrenta desafios profundos, incluindo a luta por reparação, o trauma psicossocial e a memória contra o esquecimento. A Praça Anjo da Esperança, inaugurada em 2025, tornou-se um símbolo de luto, resistência e compromisso com a memória, para que o horror vivido em 2021 jamais seja naturalizado.
Apesar da dor e das cicatrizes ainda abertas, a tragédia deixou lições estruturais. O sistema de saúde do Amazonas passou por mudanças significativas, com a implantação de usinas próprias de oxigênio em diversas unidades hospitalares, inclusive no interior do estado. A medida busca reduzir a dependência de fornecedores privados e evitar a repetição do colapso que marcou o auge da segunda onda da pandemia.
Cinco anos depois, o Amazonas segue tentando respirar — não apenas com os pulmões, mas com justiça, memória e responsabilidade histórica. A luta por reparação e justiça continua, com o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública mantendo ações judiciais que pleiteiam cerca de R$ 4 bilhões em indenizações por danos morais coletivos e sociais.
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