O Lado Oculto dos Games AAA: Por que Quem Faz o Jogo não Ganha o Crédito?
A indústria de games é uma das mais lucrativas e dinâmicas do mundo, com bilhões de dólares em receita anual. No entanto, por trás das cenas, há uma realidade menos conhecida: a terceirização do desenvolvimento de jogos. Isso significa que muitos estúdios de games não desenvolvem seus jogos sozinhos, mas sim contratam outras empresas para fazer parte do processo de criação.
De acordo com a pesquisa State of Video Gaming 2026, o investimento em terceirização do desenvolvimento de jogos representou 35,5% do investimento total em conteúdo dos desenvolvedores no ano passado. Isso é um aumento significativo em relação aos anos anteriores, e mostra que a terceirização é uma prática cada vez mais comum na indústria.
Um exemplo disso é o jogo Cyberpunk 2077, desenvolvido pela CD Projekt RED. Embora o jogo seja creditado como uma produção da CD Projekt RED, na verdade, mais de sete estúdios estiveram envolvidos na sua criação. Isso inclui estúdios de diferentes países, como a Malásia e a Indonésia, que oferecem mão de obra barata e flexibilidade para os desenvolvedores.
No entanto, a terceirização não é necessariamente um problema em si. O problema surge quando a terceirização é usada apenas como uma forma de reduzir custos, sem considerar a qualidade do trabalho ou as condições de trabalho dos desenvolvedores. Isso pode levar a problemas como o crunch, que é o trabalho excessivo e sem remuneração, e a falta de créditos para os desenvolvedores que trabalham nos jogos.
Um exemplo disso é o documentário How Game Publishers Buy Crunch Overseas, que mostra como os estúdios de terceirização em países como a Malásia e a Indonésia são explorados por grandes empresas de games. Os desenvolvedores nesses estúdios trabalham longas horas sem remuneração, e muitas vezes não recebem créditos por seu trabalho.
No Brasil, a situação é um pouco diferente. A indústria de games brasileira tem um polo de external development muito forte, especialmente na região Nordeste. Estúdios como a Diorama Digital, localizada em Recife, trabalham em grandes produções de jogos AAA, como Call of Duty e Horizon Forbidden West.
De acordo com o presidente da Abragames, Rodrigo Terra, o Brasil se tornou uma “grande fábrica” de jogos AAA, graças à sua mão de obra qualificada e ao custo-benefício favorável. No entanto, ainda há desafios para a indústria, como a falta de profissionais de nível sênior e a fuga de cérebros para o exterior.
Outro desafio é a questão dos créditos para os desenvolvedores. Muitas vezes, os estúdios de terceirização não recebem créditos por seu trabalho, o que pode ser um problema para os desenvolvedores que buscam construir um portfólio ou obter novas oportunidades no mercado.
De acordo com o COO da Diorama Digital, Alex Rodrigues, a falta de créditos é um problema que afeta muitos estúdios de terceirização. No entanto, ele também destaca que a falta de créditos não é necessariamente um problema para os estúdios, pois eles operam em um nível B2B e não precisam se preocupar com a visibilidade pública.
- Terceirização de jogos é uma prática comum na indústria de games.
- A terceirização pode ser usada para reduzir custos, mas também pode levar a problemas como o crunch e a falta de créditos para os desenvolvedores.
- No Brasil, a indústria de games tem um polo de external development forte, especialmente na região Nordeste.
- A falta de créditos para os desenvolvedores é um problema que afeta muitos estúdios de terceirização.
Em resumo, a terceirização de jogos é uma prática complexa que pode ter tanto benefícios quanto desafios. É importante que as empresas de games considerem as condições de trabalho e os créditos para os desenvolvedores que trabalham nos jogos, para garantir que a indústria seja justa e saudável para todos.
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