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O Caso do Cão Orelha: Ministério Público de Santa Catarina Conclui que Morte não Foi por Agressão

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) concluiu que o cão comunitário Orelha, que morreu em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis, não foi vítima de agressões por parte de adolescentes. A manifestação foi protocolada na Justiça na última sexta-feira, 8, por três Promotorias, que pediram o arquivamento do caso.

Após a análise de cerca de 2 mil documentos, incluindo laudos e imagens de câmeras de monitoramento, o MP-SC identificou inconsistências temporais que modificaram substancialmente a narrativa inicial. A reanálise detalhada do material probatório revelou que Orelha e o suposto agressor não estiveram no mesmo local ao mesmo tempo.

  • O MP-SC analisou imagens de câmeras de monitoramento do condomínio onde o adolescente mora e registros do sistema público de segurança de Florianópolis.
  • A comparação dos registros identificou uma defasagem de aproximadamente 30 minutos entre os dispositivos.
  • Além disso, os promotores apontaram que o adolescente foi filmado nas imediações do deck da praia, enquanto Orelha estava a cerca de 600 metros de distância.

Os promotores também destacaram que imagens do cão comunitário caminhando pela rua cerca de uma hora após a suposta agressão, com “plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal”, enfraquecem a tese de que o animal teria sido agredido na praia e retornado debilitado em razão de “agressões recentes”.

O laudo pericial obtido com a exumação do corpo do animal não constatou qualquer fratura ou lesão compatível com ação humana, mas sim sinais de osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea crônica.

O Ministério Público destacou que a versão de maus-tratos surgiu a partir de narrativas indiretas, “baseadas em comentários de terceiros, boatos e conteúdos divulgados em redes sociais”, o que contribuiu para a “fixação precoce e equivocada de autoria” do crime.

Diante dessas provas, as Promotorias de Justiça reforçam que a hipótese de que o cão “Orelha” tenha sucumbido a um quadro clínico grave – e não a uma agressão – foi a mais bem sustentada pelos elementos produzidos nos autos.

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