Fluxo Global, Dólar Fraco e Eleição Moldam Estratégia de Fundos no Brasil em 2026
O ano de 2026 começa com os investidores atentos a uma combinação rara de fatores que podem ditar o desempenho dos ativos brasileiros. A fraqueza do dólar, o fluxo de recursos para mercados emergentes e o diferencial de juros historicamente elevado do Brasil aparecem como vetores favoráveis.
Segundo Priscila Araújo, head de produtos e relacionamento da XP, os gestores se beneficiam do carrego de uma posição vendida em dólar e comprada em real. Esse diferencial de juros é um dos mais altos do mundo e deve persistir ao longo do ano. Além disso, os fundos mantêm essa estratégia, consolidando a aposta no mercado doméstico mesmo em meio a turbulências globais.
Correlação com Mercados Internacionais
A correlação com os mercados internacionais também se mantém forte. Se os recursos são tirados dos Estados Unidos e diversificados para mercados emergentes, bolsas como a do Brasil acabam sendo afetadas. No ano passado, a alta do Ibovespa refletiu esse movimento global.
Os investidores devem observar o efeito do dólar fraco sobre os emergentes. Se a tendência de saída do dólar e entrada em mercados emergentes continuar, o Brasil tem potencial para desempenho positivo, mas a eleição pode intensificar ou reduzir esse efeito.
Cenário Eleitoral e Fiscal
O comportamento da bolsa brasileira em 2026 dependerá da política doméstica. O fluxo estrangeiro continua trazendo capital, mas o vetor local é um ponto de interrogação. Existem três estágios no ano: até março, a taxa de juros deve ser o principal fator; de abril a outubro, o cenário eleitoral vai dominar; e após outubro, quem vencer a eleição vai definir a dinâmica.
Os investidores devem monitorar setores específicos, como o agro, que passa por um momento conjuntural difícil, e a infraestrutura, que se mantém como destaque com benefício tributário. Além disso, os fundos pós-fixados podem sofrer mais com a curva de juros reais, enquanto os fundos atrelados à inflação se beneficiam de proteção e ganhos superiores.
- O mercado de crédito deve manter a atenção, com índices de inadimplência previstos para cair com a redução do juro.
- Os fundos de debêntures de infraestrutura devem continuar comprando papéis incentivados, mantendo pressão positiva sobre preços e taxas.
- Os fundos de ações devem captar mais recursos, com retorno mais fácil de explicar e premissa clara para risco.
Em resumo, o ano de 2026 será moldado pelo fluxo global, dólar fraco e eleição, e os investidores devem estar atentos a esses fatores para tomar decisões informadas. A gestão ativa e a atenção constante ao cenário serão fundamentais para navegar esse ambiente complexo.
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