Fluxo Estrangeiro Negativo Domina B3
A Bolsa brasileira enfrentou um desafio significativo em maio, com a retirada de capital estrangeiro alcançando o pior fluxo mensal desde 2022, de acordo com um relatório do JPMorgan. Os investidores externos sacaram R$ 14,9 bilhões do mercado secundário no mês, e essa tendência continuou em junho, com uma saída adicional de US$ 1,8 bilhão até o dia 8.
Essa saída de capital é resultado de uma combinação de fatores externos e domésticos. No cenário global, o fim da fraqueza do dólar e a alta dos rendimentos dos Treasuries reduziram o apetite por ativos de risco. Além disso, o retorno da “trade de IA e tecnologia” concentrou recursos em mercados mais expostos ao setor, como os Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan, em detrimento de bolsas ligadas a commodities e mais dependentes do ciclo externo, como a brasileira.
Fatores Domésticos
No front doméstico, o JPMorgan vê um ambiente menos favorável para os ativos locais diante da perspectiva de um ciclo de cortes de juros mais limitado e da manutenção de taxas elevadas por mais tempo. O avanço do calendário eleitoral também é um fator de cautela, com pesquisas recentes mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, o que pode funcionar como obstáculo adicional para uma recuperação mais consistente dos preços dos ativos.
Os poucos possíveis alívios incluem o eventual aumento do apetite global por risco com o fim da guerra no Irã e uma possível rodada de estímulos na China, que poderia beneficiar segmentos emergentes fora do universo de tecnologia. No entanto, historicamente, o Brasil costuma ter desempenho mais fraco em períodos eleitorais.
Comportamento dos Investidores
No mercado local de fundos, o comportamento dos investidores seguiu desigual. A indústria de fundos como um todo captou R$ 10,3 bilhões em maio, revertendo a saída registrada no mês anterior. Os fundos de renda fixa foram os principais motores dessa recuperação, com ingresso líquido de R$ 10 bilhões no mês e acumulando captação de R$ 120,3 bilhões no ano.
Já os fundos dedicados a ações continuam sob pressão, com resgate de R$ 150 milhões em maio e saída acumulada em 2026 para R$ 5,6 bilhões. A alocação em ações dentro do patrimônio total da indústria caiu para 7,95%, nível praticamente estável desde o segundo semestre de 2025, mas ainda bem abaixo da média histórica de 11%.
Para o JPMorgan, o pano de fundo continua desafiador para a Bolsa brasileira. Embora as ações negociem a múltiplos considerados baratos e o posicionamento dos investidores esteja leve, o banco avalia que esses fatores, sozinhos, não têm sido suficientes para reverter a deterioração recente dos fluxos.
- O fluxo estrangeiro para ações brasileiras somou R$ 34,2 bilhões até o início de junho.
- A saída de capital estrangeiro em maio foi a pior desde 2022.
- O JPMorgan vê pouco alívio no curto prazo para a Bolsa brasileira.
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