Dissidência no Fed: Tensão com Inflação e Alerta Ligado
A decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros em pausa nos Estados Unidos, entre 3,5 e 3,75%, foi acompanhada de uma dissidência significativa. Três dos 12 membros votaram pela alta de juros, demonstrando uma crescente preocupação com a inflação acima da meta de 2%. Essa dissidência trouxe mais apreensão ao mercado sobre uma possível alta de juros no futuro.
Os votos dissidentes vieram dos presidentes dos Fed regionais de Cleveland, Minneapolis e Dallas, que defendem uma política monetária mais restritiva diante da persistência da inflação. Essa posição é compartilhada por economistas, que apontam a questão do aumento de energia devido ao conflito com o Irã, das tarifas comerciais e da alta das empresas de Big Tech e de inteligência artificial como fatores que pressionam a demanda.
- A alta de juros não pode ser descartada, especialmente se o petróleo voltar a subir devido ao conflito no Oriente Médio ou se os dados de inflação nos EUA mostrarem alta.
- O principal vetor de risco está novamente no petróleo, com o barril tipo Brent operando em torno de US$ 90.
- A inflação pode não ceder o suficiente, alertam os economistas, o que pode levar a uma revisão nas expectativas de juros.
Para os especialistas, a reunião de setembro será a mais importante do segundo semestre, e o cenário-base ainda é de manutenção dos juros. No entanto, a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário.
A reação do mercado foi inicialmente positiva, com as bolsas americanas reagindo ao comunicado e o dólar recuando contra uma cesta de moedas. No entanto, o fôlego foi curto, e os ativos de risco passaram a ter queda.
Para o Brasil, o debate dentro do Fed não é mais sobre quando começar a cortar, é sobre se será preciso subir. Isso importa diretamente para o país, porque um Fed mais duro fortalece o dólar e pressiona o câmbio, o que pode influenciar a decisão do Copom sobre a Selic.
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