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Como funcionava esquema de fraudes que vendia vagas em concursos por até R$ 500 mil

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Esquema de Fraudes em Concursos Públicos: Uma Operação Familiar

Uma operação da Polícia Federal (PF) desvendou um esquema de fraudes em concursos públicos que operava como uma empresa familiar, com sede em Patos (PB), e cobrava até R$ 500 mil por vaga. O grupo utilizava tecnologia de ponta para burlar sistemas de segurança, incluindo dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real com candidatos.

A Operação Última Fase, deflagrada recentemente, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em quatro estados. Segundo a PF, o esquema operava há mais de dez anos e envolvia corrupção de fiscais, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro por meio de imóveis, veículos e até clínicas odontológicas.

Líder e Estrutura Familiar

O grupo era liderado por Wanderlan Limeira de Sousa, ex-policial militar expulso da corporação em 2021. Ao lado dele, atuavam irmãos, sobrinhos e cunhados, cada um com funções específicas, que iam desde o recrutamento de interessados até o repasse de respostas. A sobrinha Larissa de Oliveira Neves, que chegou a ser aprovada no Concurso Nacional Unificado (CNU), era usada como “vitrine” para atrair novos clientes.

As investigações apontam que os pagamentos variavam conforme o cargo e a dificuldade da prova. Além de dinheiro vivo, o grupo aceitava propina em ouro, veículos e até procedimentos odontológicos. Entre os suspeitos estão Ariosvaldo Lucena de Sousa Júnior, policial militar e dono de uma clínica usada para lavagem de dinheiro, e Thyago José de Andrade, responsável por controlar os repasses e emprestar recursos para cobrir subornos.

Fraudes e Pagamentos

As fraudes atingiram concursos da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, UFPB, Banco do Brasil e o próprio CNU. A PF reuniu provas técnicas contundentes, incluindo gabaritos idênticos de quatro candidatos, entre eles Wanderlan, seus familiares e cúmplices. O laudo pericial da Cesgranrio concluiu que a chance de coincidência casual é equivalente a ganhar a Mega-Sena 18 vezes seguidas.

A PF identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados. Relatórios do Coaf mostraram que Geórgia de Oliveira Neves, cunhada do líder, depositou R$ 419 mil em espécie, mesmo sem vínculo formal de trabalho desde 1998. Parte dos pagamentos era disfarçada em transações imobiliárias e de veículos, com uso de laranjas e contratos fictícios.

Até o momento, três pessoas foram presas preventivamente. A PF e o Ministério Público Federal (MPF) seguem rastreando os fluxos financeiros e possíveis envolvimentos de servidores públicos. As defesas dos investigados negam as acusações e afirmam que não há provas que liguem os suspeitos às fraudes apontadas.

  • Operação Última Fase: deflagrada recentemente, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em quatro estados.
  • Esquema de fraudes: operava há mais de dez anos, envolvia corrupção de fiscais, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.
  • Pagamentos: variavam conforme o cargo e a dificuldade da prova, incluindo dinheiro vivo, ouro, veículos e procedimentos odontológicos.

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