Descarbonização no Setor Aéreo: Um Avanço Tímido e Lento
O setor aéreo tem enfrentado desafios significativos em sua jornada rumo à descarbonização, apesar das metas ambiciosas estabelecidas para reduzir as emissões de carbono até 2050. A produção de combustível de aviação sustentável (SAF) tem crescido, mas a um ritmo muito lento para atender às necessidades do setor.
De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), a produção global de SAF cresceu de 1 milhão de toneladas em 2024 para 1,9 milhão de toneladas em 2025, com previsão de atingir 2,4 milhões de toneladas ao final de 2026. No entanto, isso cobrirá apenas 0,8% das necessidades de combustível das companhias aéreas.
Willie Walsh, diretor-geral da IATA, destacou que a meta é atingir 65% de SAF até 2050, o que equivale a 500 milhões de toneladas. “A lacuna é enorme e não está se fechando com rapidez suficiente”, disse.
As companhias aéreas têm enviado “sinais inequívocos” de demanda por SAF, com mais de 180 acordos de compra assinados desde 2021. No entanto, a oferta não tem acompanhado a demanda, com projetos de SAF cancelados ou reduzidos em vários países.
Walsh afirmou que há duas ferramentas básicas de política pública à disposição: mandatos ou incentivos. Ele frisou que a sequência é importante e que os incentivos devem ser usados primeiro para aumentar a produção de SAF.
Alguns países, como os EUA, têm utilizado créditos tributários para incentivar a produção de SAF, enquanto outros, como o Brasil, têm potencial para produzir SAF, mas precisam alinhar suas políticas para ter sucesso.
No entanto, a maioria dos governos tem “colocado a carroça na frente dos bois” com os mandatos, elevando os preços, mas não criando oferta. Isso tem levado a situações absurdas, como as companhias aéreas pagando bilhões em “adicionais de conformidade” associados a mandatos impostos aos fornecedores de combustível.
Outro desafio é o Acordo Setorial para Redução de Emissões de Carbono (CORSIA), que está ameaçado devido à falta de alinhamento entre os governos e as partes responsáveis pelo Acordo de Paris.
Walsh alertou que os ataques constantes da UE ao CORSIA são “desonestos e inaceitáveis” e que a solução é simplesmente alinhar processos internos de governo.
Em resumo, o setor aéreo enfrenta desafios significativos em sua jornada rumo à descarbonização, e é necessário que os governos e as companhias aéreas trabalhem juntos para criar um mercado de SAF mais robusto e alcançar as metas de redução de emissões de carbono.
- A produção de SAF precisa crescer rapidamente para atender às necessidades do setor.
- Os governos devem utilizar incentivos em vez de mandatos para aumentar a produção de SAF.
- O CORSIA é fundamental para a redução de emissões de carbono no setor aéreo e precisa ser apoiado pelos governos.
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