Caso Master: Pirâmide do ‘Sicário’ e o Esquema de Lavagem de Dinheiro
Um dos principais alvos da operação Compliance Zero, o empresário Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como “Sicário”, foi denunciado como chefe de um suposto esquema de pirâmide financeira com conexões semelhantes ao caso Master. Mourão foi acusado de comandar empresas de investimento que ofereciam rentabilidade muito acima do mercado, aplicando golpes nos clientes.
A denúncia contra ele foi aceita pela Justiça em dezembro de 2021 e ainda aguarda julgamento. Mourão foi acusado de crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a economia popular. O modus operandi da lavagem de dinheiro do suposto esquema chamou a atenção dos investigadores, que simulavam a compra de imóveis em zonas rurais de Minas e, em seguida, firmavam um empréstimo no Banco Máxima com a garantia da propriedade, que passava a ser supervalorizada em mais de 3 mil por cento.
Exemplo de Supervalorização de Imóvel
Um exemplo é a empresa Diedro Empreendimentos, que fechou a compra de um imóvel em Itamarandiba (MG) por R$ 465 mil. Em seguida, a Diedro emitiu uma cédula de crédito bancário no valor de R$ 31,2 milhões, conferindo à propriedade o valor de R$ 16,7 milhões – uma supervalorização de 3.341%. Essa movimentação era usada para desviar recursos do suposto esquema.
Conexões com o Caso Master
A investigação do MP mineiro se iniciou a partir de denúncia da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) envolvendo a empresa Alcateia Investimentos, que depois vendeu sua carteira de clientes para a Maximus Digital, que tinha Mourão e seus familiares como sócios. Anúncios publicados nas redes sociais prometiam retorno de mais de 987% ao ano por meio da empresa Alcateia Investimentos.
A denúncia assinada pela promotora Janaina de Andrade Dauro afirma que a “organização criminosa trouxe prejuízo milionário à economia da população brasileira”. Mourão chegou a movimentar R$ 24,9 milhões em três anos, segundo informações de um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A defesa de “Sicário” não se pronunciou sobre o caso. Antes de atentar contra a própria vida, ele recorreu ao direito de ficar em silêncio diante da PF.
- Mourão é suspeito de ser o coordenador de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, que era utilizado para combinar atividades de vigilância, coleta de informações e intimidação de pessoas consideradas adversárias de Daniel Vorcaro.
- A investigação também aponta que Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, inclusive com uso de credenciais funcionais de terceiros.
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