Caso Master: PF retoma depoimentos que podem definir futuro de inquérito no Supremo
A Polícia Federal (PF) retomou os depoimentos do inquérito originado pela Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades em operações financeiras e na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição estatal do governo do Distrito Federal.
Segundo a PF, oito investigados serão ouvidos, sendo quatro hoje e outros quatro amanhã. A expectativa é que as informações prestadas pelos depoentes sejam decisivas para definir os próximos passos da apuração e se ela continuará no âmbito da Corte.
Os depoimentos são considerados cruciais para a investigação, que está focada nas ações e relações do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que coleciona contatos políticos influentes em Brasília. A investigação apura supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito “insubsistentes” do Master ao BRB, por um valor de pouco mais de R$ 12 bilhões.
Os depoentes devem ser questionados sobre as provas levantadas pela PF no âmbito das duas fases da Operação Compliance Zero. Além disso, a PF deve abordar os R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas de crédito vendidas ao BRB.
A investigação começou no primeiro grau da Justiça Federal e foi remetida ao STF por decisão de Toffoli, após a PF apreender o contrato de uma negociação imobiliária entre Daniel Vorcaro e um deputado federal.
O caso do Master envolve potenciais conflitos de interesse com ministros do STF, incluindo o ministro Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli, que assumiu a relatoria do inquérito sobre o Master no STF.
Os motivos de desconforto incluem a revelação de que o ministro Toffoli viajou a Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores da América na companhia de um advogado de um dos investigados do caso Master, e que o cunhado de Vorcaro, o pastor e empresário Fabiano Zettel, estava por trás de um fundo de investimentos que foi sócio de uma empresa no nome de dois irmãos de Toffoli.
Diante do aumento do incômodo com os potenciais conflitos de interesse, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa de Toffoli, afirmando que o STF atua na “regular supervisão judicial, como vem sendo feito no âmbito dessa Suprema Corte pelo ministro relator, Dias Toffoli”.
Os principais pontos da investigação incluem:
- A venda de carteiras de crédito “insubsistentes” do Master ao BRB por um valor de pouco mais de R$ 12 bilhões;
- A participação de Daniel Vorcaro e outros investigados na venda dessas carteiras;
- A relação entre o Banco Master e o Banco Central, incluindo a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Com a conclusão dos depoimentos e a análise das provas obtidas, será possível ter uma avaliação mais precisa sobre a manutenção das investigações na Corte, ou sua devolução à primeira instância da Justiça Federal.
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