Análise do Dólar após o Fechamento de Abril
O dólar fechou a quinta-feira em queda firme no Brasil, após uma sessão mais favorável ao risco no mercado externo. Com a decisão do Banco Central de promover o segundo corte consecutivo de 0,25 ponto da Selic, a 14,50% ao ano, os agentes avaliam a possibilidade de ajustar o ritmo e a extensão da flexibilização. O dólar à vista fechou em baixa de 1,00%, aos R$4,9523, com uma queda de 4,38% no mês de abril e de cerca de 9% no acumulado de 2026.
Analistas de mercado projetam que o real continuará a se fortalecer no curto prazo, com boa parte das casas seguindo otimista com a moeda. O Itaú BBA revisou suas projeções de câmbio para R$ 5,15/US$ em 2026 e para R$ 5,35/US$ em 2027, considerando que os fundamentos sigam construtivos, com dólar estruturalmente mais fraco e ambiente de fluxos de capital mais favorável para economias emergentes.
Fatores que Influenciam o Dólar
- O cessar-fogo na guerra do Irã iniciado em abril e prorrogado indefinidamente pelo presidente Donald Trump, o que favorece os termos de troca brasileiros.
- A posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e o nível ainda elevado das taxas de juros.
- A combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio.
Para a equipe da XP Investimentos, a dinâmica tem menos a ver com fundamentos do que com momento global. O diferencial de juros também é um pilar importante, com as taxas elevadas no Brasil continuando a funcionar como um ímã para o capital estrangeiro. Além disso, o perfil do país como grande exportador de commodities tende a reforçar o ingresso de dólares em momentos de incerteza global.
Em resumo, os analistas concordam que o dólar seguirá abaixo de R$ 5, com uma tendência de apreciação do real no curto prazo. No entanto, uma mudança mais significativa dependeria da política monetária dos Estados Unidos, com um início mais claro e consistente de cortes de juros naquele país poderia fortalecer o dólar globalmente e alterar o equilíbrio atual.
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