Avaliação do Mercado sobre o Governo Lula
O mercado financeiro está atento aos gastos fiscais do governo, que podem continuar a aumentar caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito em outubro. De acordo com Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da gestora Quantitas, o governo está adotando uma postura de “all in” do lado fiscal, expandindo gastos sem se preocupar com as consequências macroeconômicas, como juros altos e inflação fora da meta.
Chermont afirma que o desequilíbrio das contas públicas é o principal motor por trás da manutenção da taxa Selic em patamares restritivos. Atualmente, o Brasil convive com uma taxa de juro real de 9,67%, sustentada por uma dívida pública que não para de subir e gastos que continuam crescendo a “uma taxa absurda”, mesmo sob a vigência do novo arcabouço fiscal.
Projeções para o Futuro
Para o fim deste ano, a projeção da Quantitas é de que a taxa Selic encerre em 14%, embora Chermont pontue que o patamar de 13,75% também ganha força como um cenário provável, a depender dos próximos dados de inflação e atividade. Além disso, o economista destaca que a complacência do mercado em relação ao desequilíbrio brasileiro tem sido permitida pelo cenário externo, mas alerta para o risco geopolítico e, principalmente, para a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
Chermont também destaca que a moeda brasileira reage fundamentalmente a duas variáveis: o prêmio de risco do país e o diferencial de juros entre o Brasil e os EUA. Caso o Federal Reserve (Fed) decida voltar a elevar os juros americanos, diminuindo essa diferença, o capital estrangeiro pode deixar o país.
Limites dos Juros Altos
Para Chermont, a grande pergunta que fica é “Qual é o limite” dos juros altos no país. Ele cita o período do segundo governo de Dilma, que descreve como “caos macroeconômico”, e afirma que o juro real alto é insustentável. “Até quando? Não tenho a menor ideia”, diz.
Além disso, o economista avalia que, desta vez, o mercado não dará novamente o “benefício da dúvida” a Lula. Ao contrário de 2022, quando havia a esperança de um presidente mais pragmático, o mercado agora exigirá a execução clara de medidas de responsabilidade fiscal para reduzir o prêmio de risco.
- O mercado financeiro está atento aos gastos fiscais do governo.
- O governo está adotando uma postura de “all in” do lado fiscal.
- O desequilíbrio das contas públicas é o principal motor por trás da manutenção da taxa Selic em patamares restritivos.
Diante desse cenário nebuloso, a estratégia da gestora nos próximos meses será a cautela. “Tem vezes que o trabalho de gestão é ficar parado, ter sangue frio e esperar a oportunidade”, diz Chermont.
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