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“Não aguento mais esses mineiros enrolados”, escreveu Cunha, em fala citada por Dino

Investigação da Polícia Federal

A Polícia Federal interceptou mensagens entre o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e uma servidora da Casa, que demonstram insatisfação com cidades de Minas Gerais. Cunha, que teve R$ 6,15 milhões bloqueados por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), é investigado por suspeita de indicar irregularmente emendas parlamentares destinadas a municípios mineiros.

As conversas foram extraídas do celular de Mariângela Fialek, servidora da Câmara apontada como operadora do esquema de manipulação de emendas parlamentares. Em uma delas, Cunha reclama de cidades no estado pelo qual pretende se eleger em outubro, escrevendo: “Boa tarde, desculpa, mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”.

Desdobramento da Operação Transparência

A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, que apura desvios na distribuição de emendas do chamado orçamento secreto. A operação já havia levado ao bloqueio de até R$ 119 milhões do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Os investigadores destacam que as emendas, criadas para atender demandas legítimas de representantes eleitos, acabaram subordinadas a um esquema informal coordenado por quem não mais responde ao eleitorado, ao Parlamento ou às regras republicanas de transparência.

Decisão do Ministro Flávio Dino

A decisão do ministro Flávio Dino, assinada em 6 de julho, suspendeu a execução de todas as emendas sob suspeita e bloqueou os bens de Cunha. A investigação afirma que o ex-deputado nunca manteve vinculação política com o Estado de Minas e que sua atuação é simbólica do descontrole político e desvinculação ao interesse público.

Além disso, a investigação destaca que Cunha demonstra pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução. A mensagem sobre os “mineiros enrolados” não é a única em que Cunha remaneja destinos de emendas nos diálogos analisados pela PF.

  • Cunha é investigado por suspeita de indicar irregularmente emendas parlamentares destinadas a municípios mineiros.
  • A investigação é um desdobramento da Operação Transparência.
  • A decisão do ministro Flávio Dino suspendeu a execução de todas as emendas sob suspeita e bloqueou os bens de Cunha.

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