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Mais da metade das canetas emagrecedoras vem do mercado informal, diz estudo

Mais da metade das canetas emagrecedoras vem do mercado informal, diz estudo

Um estudo recente da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo, revelou que mais da metade das doses de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, consumidas no Brasil podem vir do mercado informal.

Para chegar a essa conclusão, a Scanntech avaliou a evolução das vendas de seringas em farmácias e construiu uma linha de base histórica associada ao consumo de insulina. O crescimento das vendas desse material de aplicação injetável observado acima da tendência esperada para o consumo de insulina foi utilizado como indicador do uso de medicamentos adquiridos em ampolas, fora dos canais formais de comercialização.

A diretora de Marketing da Scanntech, Priscila Ariani, explica que, embora não seja possível mensurar diretamente o mercado informal, é possível buscar relações. “Observamos nas farmácias um crescimento das vendas de seringas de insulina muito superior ao que seria esperado apenas pela evolução do consumo de insulina. Esse excedente nos permite estimar que, possivelmente, mais de 50% das doses de GLP-1 em circulação no país, desde o último trimestre de 2025, estejam sendo consumidas fora do mercado formal em farmácias”, afirma.

Além disso, o estudo também revelou que 6% dos brasileiros adultos já fazem uso desses medicamentos, e que 87,4% das pessoas que usam o medicamento custeiam o tratamento do próprio bolso. O valor médio mencionado fica abaixo do preço oficial das marcas de referência, o que pode reforçar a presença de um mercado informal.

Os dados declarados pelos entrevistados também ajudam a compreender a dimensão desse cenário. Na pesquisa quantitativa com consumidores, apenas 5,2% dos usuários afirmam utilizar medicamentos manipulados. Já no estudo que estima o consumo total de GLP-1 a partir de dados de mercado, os resultados indicam que o canal informal pode representar mais de 50% das doses em circulação no país.

É importante notar que a motivação de uso do GLP-1 vai além das indicações médicas. Embora o combate à obesidade seja a principal motivação declarada, a perda rápida de peso, o controle do apetite e a manutenção de peso aparecem logo em seguida, acima de outras questões de saúde.

  • O consumo de GLP-1 tem idade, renda e gênero predominantes, com maior concentração de consumidores entre mulheres de 25 a 34 anos, com renda mensal entre R$ 22 mil e R$ 32 mil.
  • O período de uso tende a ser curto, com 66,5% dos usuários em tratamento há cinco meses ou menos.
  • Além disso, 63,7% dos atuais consumidores de GLP-1 declaram baixa ou muito baixa intenção de continuar.

O impacto do GLP-1 também se reflete no varejo alimentar, com uma redução de 0,49% ao ano no volume total de alimentos vendidos nos supermercados brasileiros, com impacto mais intenso nas cestas associadas à indulgência.

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