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“Crise de adolescência” no mercado que mais cresce no Brasil põe investidor em alerta

Crise de Adolescência no Mercado de Crédito Privado

O mercado de crédito privado no Brasil tem apresentado um crescimento acelerado, atraindo investidores para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). No entanto, um levantamento recente revelou que os fundos “adolescentes” do middle market apresentam uma inadimplência média de 4,8%, muito superior à dos fundos altamente concentrados ou dos gigantes do setor.

Segundo especialistas, essa parcela do mercado exige atenção especial devido à sua estrutura operacional. “Não necessariamente porque todos esses fundos são ruins, mas porque essa faixa parece reunir o pior dos dois mundos: já há pulverização suficiente para gerar milhares de eventos de crédito, cobrança, conciliação e inadimplência, mas nem sempre há escala operacional para acompanhar tudo com eficiência”, analisa Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

  • Os fundos “adolescentes” do middle market têm uma inadimplência média de 4,8%.
  • Os fundos altamente concentrados têm uma inadimplência média de 0,7%.
  • Os gigantes do setor têm uma inadimplência média de 1,2%.

Além disso, os especialistas alertam que a marcação da cota nos FIDCs pode mascarar uma carteira já deteriorada, o que pode levar a perdas significativas para os investidores. “A cota sobe de maneira suave, quase linear, criando uma aparência de baixa volatilidade que pode ser enganosa”, adverte Robson Casagrande, sócio e especialista em investimentos da GT Capital.

Diante dessas incertezas, os investidores devem ser cautelosos ao avaliar o momento de entrada no mercado. A recomendação é desconfiar de promessas muito agressivas e vasculhar o Informe Mensal disponível nos sites da CVM para rastrear os créditos a vencer com parcelas em atraso e o índice de recompras da carteira.

No entanto, os especialistas ponderam que a janela atual segue vantajosa para quem souber garimpar bons gestores. “O momento é interessante, mas seletivo. A Selic ainda está em patamar elevado, o que mantém o carrego da renda fixa e do crédito privado bastante atrativo”, conclui Perri.

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