Berkshire sem Buffett: o maior desafio em 60 anos começa agora
Com a saída de Warren Buffett, a Berkshire Hathaway enfrenta seu maior desafio em 60 anos. Em janeiro de 2026, Greg Abel assumiu o comando da companhia, encerrando o ciclo em que Buffett tomava pessoalmente cada decisão sobre onde aplicar o dinheiro do império financeiro.
Lucas Collazo, especialista em investimentos, afirma que a questão diante de Abel não é o dia a dia da empresa, mas sim se ele consegue reconhecer um bom negócio quando este aparece e ignorar quando não existe. Além disso, é fundamental que Abel consiga fazer isso com US$ 300 bilhões na mão, sem ter alguém ao lado para apontar quando está errado.
A história de Warren Buffett
Warren Buffett nasceu em 1930, no auge da Grande Depressão, e fez sua primeira compra de ações aos 11 anos. Ele estudou com o professor Benjamin Graham, que ensinava que preço e valor são coisas diferentes. Quando uma ação é vendida por menos do que vale, abre-se uma folga que protege o investidor mesmo quando ele erra alguma conta.
Buffett aplicou esse método em suas sociedades de investimento entre 1956 e 1969, com retornos consistentemente acima do mercado. Foi quando Charlie Munger, advogado formado por Harvard, entrou em cena e mudou a pergunta central da Berkshire. Em vez de perguntar se o negócio estava barato, Munger passou a perguntar se o negócio era bom.
O legado de Buffett e Munger
A compra da See’s Candies, em 1972, é um exemplo da nova lógica. A fabricante de chocolates da Califórnia não era barata, mas tinha uma fidelidade rara entre os clientes. Conseguiu aumentar preços todos os anos, acima da inflação, sem perder volume. Em 35 anos, gerou US$ 1,35 bilhão em lucro antes dos impostos, com apenas US$ 32 milhões reinvestidos no período.
A Berkshire começou como uma têxtil em declínio que Buffett comprou em 1965 por estar barata, decisão que ele próprio classificou como erro de centenas de bilhões. Mas a entrada no setor de seguros mudou tudo. A seguradora recebe o dinheiro do cliente hoje e só paga, em caso de sinistro, anos depois, deixando um volume enorme de dinheiro disponível para investimento no meio do caminho.
- A Berkshire tem um volume de US$ 171 bilhões disponível para investimento.
- A empresa tem um histórico de retornos consistentemente acima do mercado.
- O legado de Buffett e Munger é um modelo baseado em disciplina, paciência e racionalidade.
Com a saída de Buffett, a Berkshire enfrenta um teste sobre até onde se sustenta esse modelo em um ambiente que incentiva o oposto: velocidade, dívida e narrativa. Os resultados de seis décadas não vieram de uma única decisão acertada, mas da capacidade de evitar decisões ruins por tempo suficiente para que as boas gerassem resultados gigantescos.
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