Messias Precisa de Metade dos Senadores que Evitam Declarar Voto para Garantir STF
A dois dias da sabatina no Senado, o advogado-geral da União, Jorge Messias, ainda não tem os votos necessários para garantir sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) e depende de avançar sobre o bloco de senadores que evitam se posicionar publicamente.
Um levantamento do GLOBO mostra que Messias soma 25 votos favoráveis e enfrenta 22 contrários. Outros 34 parlamentares — sendo 16 que não responderam e 18 que afirmaram que não iriam se posicionar — concentram o poder de decisão. Para atingir os 41 votos necessários no plenário, o indicado precisará conquistar ao menos 16 desses nomes, o equivalente a cerca de metade desse bloco.
Partidos Chave
O MDB e o PSD, dois dos principais partidos de centro que apoiaram a agenda do governo Luiz Inácio Lula da Silva até aqui, concentram fatias relevantes desse grupo. No MDB, dos 9 senadores, seis já indicaram voto favorável, enquanto três ainda não responderam ou evitaram se posicionar. No PSD, que tem a segunda maior bancada da Casa, com 13 nomes, apenas quatro declararam apoio, enquanto sete seguem sem posição pública ou dizem que não vão se manifestar.
Entre os nomes monitorados pelo governo estão senadores com histórico de voto pragmático, como Omar Aziz (PSD-AM), Nelsinho Trad (PSD-MS), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Fernando Dueire (PE), além de emedebistas como Marcelo Castro (PI), que evitam cravar posição.
Resistência e Estratégia
A resistência não se limita ao nome de Messias, mas também ao modelo de indicação ao Supremo. O senador Marcos Pontes (PL-SP) defende mudanças nos critérios de escolha. A oposição aparece mais consolidada, com o PL concentrando 12 votos contrários.
Parte dos senadores mantém a estratégia de não se expor publicamente, o que ajuda a explicar o tamanho do bloco indefinido mesmo após meses de articulação. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), afirmou agora ver um ambiente mais favorável à indicação.
A aposta do entorno de Messias é que o voto secreto no plenário permita a migração de parte desses nomes, reduzindo o custo político da adesão. A estratégia de Messias na reta final foi marcada pelos contatos diretos, muitos deles por WhatsApp, com abordagens individualizadas.
- Messias precisa de metade dos senadores que evitam declarar voto para garantir STF.
- A indicação de Messias depende de avançar sobre o bloco de senadores que evitam se posicionar publicamente.
- A oposição aparece mais consolidada, com o PL concentrando 12 votos contrários.
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