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Gestor alerta: euforia com emergentes pode esconder risco eleitoral no Brasil

O fluxo histórico de capital estrangeiro para a América Latina nos primeiros meses de 2026 está gerando um efeito colateral preocupante: a complacência fiscal nos países da região. Com câmbios apreciados e ativos em alta, governos que deveriam aproveitar a janela favorável para ajustes estruturais optam pela inércia, enquanto valuations se tornam progressivamente menos atrativos para novos investidores.

O alerta vem de Bruno Bak, head da mesa Artax da Itaú Asset, uma das operações de investimento mais acompanhadas do mercado doméstico. Para ele, a bonança externa está servindo de anestesia política. A avaliação foi feita no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.

Ciclo do dólar e risco eleitoral

O gestor divide o ciclo recente do dólar em três fases. Até o chamado Liberation Day, havia um ambiente de dólar muito forte, no qual o investidor estrangeiro alocado nos EUA era protegido mesmo em correções de bolsa. Com o Liberation Day, a bolsa americana caiu ao mesmo tempo em que o dólar se enfraqueceu — um choque duplo que forçou uma revisão global de portfólios.

Para 2026, Bak vê o cenário ainda favorável aos emergentes, mas com ressalvas crescentes. O problema, na sua leitura, é que a janela aberta não está sendo aproveitada pelas políticas domésticas da região.

  • No México, o Banxico sinaliza cortes de juros entre 50 e 100 pontos-base ao longo do ano, mesmo com inflação projetada em 4% no headline e 4,5% no núcleo — acima da meta de 3%.
  • Na Colômbia, com eleições para o Congresso em março e para presidente em junho, “não está sendo feito nada” para corrigir uma situação fiscal que Bak classificou como “horrível”.

Exceção e lição

Em meio ao diagnóstico regional sombrio, o Chile surge como contraponto. Recém-eleito com promessa de consolidação fiscal, o país já colhe frutos: a moeda apreciou, a bolsa subiu e as projeções de PIB para o próximo ano superam 2,5%.

A mensagem implícita é direta: quem fizer o dever de casa enquanto a janela está aberta será premiado de forma desproporcional. O Brasil, nesse contexto, aparece como o caso mais sensível — e mais complexo — da região.

O capital que chegou ao Brasil é majoritariamente hedge funds e ETFs, com horizonte curto e lógica temática. Na sua metáfora, é capital “fazendo turismo” — e pode ir embora com a mesma velocidade com que entrou.

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