Gestores Esperam Corte na Selic, mas Projetam Fim de Ano Mais Duro
A maioria dos gestores financeiros espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduza a taxa de juros Selic em 0,50 ponto percentual na reunião de janeiro. No entanto, esses mesmos gestores projetam um cenário mais desafiador para o fim do ano, com uma expectativa de juros mais altos.
De acordo com uma pesquisa realizada pela XP, 74% dos participantes esperam um corte de 50 pontos-base na Selic, enquanto 22% projetam uma redução menor, de 25 pontos-base. Outros 4% apostam em manutenção da taxa no nível atual. No entanto, a projeção para a Selic ao fim de 2026 avançou para 12,2%, acima dos 11,8% vistos na pesquisa de janeiro.
Impacto dos Choques Externos
Os choques externos, especialmente ligados à dinâmica de commodities e energia, podem influenciar a inflação e a política monetária. A janela de coleta da pesquisa ajuda a explicar esse resultado, pois cerca de 70% das respostas foram dadas entre 6 e 10 de março, uma semana após o início dos bombardeios ao Irã, em um ambiente de maior volatilidade geopolítica e de atenção redobrada às commodities energéticas.
Para Clara Sodré, analista de fundos da XP, esses choques externos podem influenciar a inflação e a política monetária. No entanto, a pesquisa sugere que o mercado não abandonou a tese favorável para os ativos brasileiros.
Posições dos Gestores
No câmbio, 92% dos gestores declararam estar comprados em real, acima dos 72% registrados em janeiro. Na bolsa local, 52% estão comprados em ações brasileiras, enquanto 39% mantêm posição neutra e 9% estão vendidos. Isso mostra que, apesar do ruído externo, parte relevante dos gestores ainda vê assimetria positiva para os ativos domésticos.
- 74% dos gestores esperam um corte de 50 pontos-base na Selic
- 22% projetam uma redução menor, de 25 pontos-base
- 4% apostam em manutenção da taxa no nível atual
- 92% dos gestores estão comprados em real
- 52% estão comprados em ações brasileiras
Em resumo, os gestores financeiros esperam um corte na Selic, mas projetam um cenário mais desafiador para o fim do ano. Os choques externos podem influenciar a inflação e a política monetária, mas o mercado não abandonou a tese favorável para os ativos brasileiros.
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