Comportamento de Ações, Juros e Dólar em Anos Eleitorais no Brasil
A análise dos últimos ciclos eleitorais no Brasil indica que a volatilidade observada nos ativos brasileiros nem sempre teve origem diretamente no processo eleitoral. De acordo com a XP Investimentos, vários fatores contribuem para essa volatilidade, incluindo choques globais, ruídos locais com impacto macroeconômico, mudanças abruptas no cenário eleitoral e discrepâncias entre pesquisas e resultados efetivos das urnas.
Historicamente, quatro vetores explicam a maior parte da volatilidade em anos eleitorais:
- Choques globais, como a crise da dívida europeia em 2010 ou a guerra Rússia-Ucrânia em 2022;
- Ruídos locais com impacto macroeconômico, como a greve dos caminhoneiros em 2018 ou as discussões fiscais em 2022;
- Mudanças abruptas no cenário eleitoral, como a entrada inesperada de candidaturas competitivas;
- Discrepâncias entre pesquisas e resultados efetivos das urnas.
No câmbio, o padrão histórico é mais evidente, com picos de volatilidade entre abril e julho, período em que o mercado começa a precificar o risco eleitoral com maior intensidade. Na bolsa, a dinâmica tende a ser caracterizada por movimentos concentrados em eventos específicos no primeiro semestre e aumento da oscilação à medida que o pleito se aproxima.
Já no mercado de juros, não há uma sazonalidade tão clara, sendo os movimentos mais associados a questões fiscais e expectativas sobre a condução da política econômica. A XP Investimentos destaca que a experiência histórica mostra que eleições aumentam a sensibilidade dos ativos, mas raramente atuam de forma isolada.
Para 2026, a antecipação da discussão eleitoral e o ambiente de elevada polarização sugerem uma disputa potencialmente apertada, o que tende a elevar o prêmio de risco nos meses próximos ao pleito. Além disso, o papel dos fatores globais merece atenção especial, pois o ambiente internacional tem exercido influência predominante sobre os ativos domésticos.
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