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Caso de Maus-Tratos a Cães em Florianópolis

O caso de maus-tratos a cães em Florianópolis, que resultou na morte de um cão chamado Orelha, tem gerado grande comoção e debate sobre a aplicação de sanções aos responsáveis, quatro adolescentes menores de 18 anos. De acordo com a legislação brasileira, menores de idade são considerados inimputáveis e, portanto, não podem ser processados como adultos.

No entanto, os adolescentes envolvidos no caso podem ser submetidos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essas medidas incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A escolha da medida a ser aplicada depende da gravidade do ato infracional e das circunstâncias do caso.

Medidas Socioeducativas

As medidas socioeducativas previstas no ECA têm como objetivo promover a responsabilização e a reintegração social dos adolescentes que cometeram atos infracionais. As medidas incluem:

  • Advertência: uma repreensão verbal do juiz;
  • Obrigação de reparar o dano: ressarcimento, restituição ou compensação do prejuízo à vítima;
  • Prestação de serviços à comunidade: tarefas gratuitas em entidades públicas ou ONGs por até seis meses e por no máximo 8 horas semanais;
  • Liberdade assistida: acompanhamento por orientador por no mínimo seis meses, visando apoio familiar e escolar;
  • Semiliberdade: privação parcial de liberdade, permitindo atividades externas (estudo/trabalho) e retorno noturno;
  • Internação: medida privativa de liberdade em entidade, por tempo indeterminado e reavaliada a cada seis meses, com prazo máximo de três anos.

A internação é aplicada apenas em casos graves, envolvendo violência, reiteração de infrações ou descumprimento de outras medidas. No entanto, a advogada Viviane Cabral defende que a lei precisa ser revista para prever a possibilidade de internação em casos de maus-tratos a animais, especialmente quando cometidos com brutalidade.

O caso de Orelha também levou à aprovação de uma lei estadual que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário, que proíbe a remoção, restrição de movimento ou transferência desses animais sem justificativa técnica e sem aviso aos cuidadores identificados.

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