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Varejistas mais preparadas? Como mercado vê possível mudança da “taxa das blusinhas”

Varejistas mais preparadas? Como mercado vê possível mudança da “taxa das blusinhas”

No início da semana, uma notícia abalou as ações de varejistas: o possível fim da “taxa das blusinhas”, levando ações de empresas como Lojas Renner e C&A a caírem mais de 4% na segunda-feira. A possível iniciativa surge no contexto das preocupações do governo com o aumento do custo de vida.

Apesar da visão a princípio negativa para as empresas de varejo, analistas de mercado e as próprias companhias destacaram fatores para não temerem tanto mudanças na taxação. O JPMorgan ressaltou que a remoção do imposto de importação seria negativa para os varejistas de vestuário, pois isso contribuiria para aumentar novamente a diferença de preços entre os varejistas estrangeiras e os locais, prejudicando a receita bruta.

Os analistas do BTG Pactual lembram que o setor de vestuário entrou em uma fase competitiva decisiva, marcada pela penetração acelerada de plataformas estrangeiras. No entanto, a mudança de política de 2024, que introduziu um imposto de importação de 20% + ICMS sobre remessas de até US$ 50, provocou uma queda acentuada nos volumes de encomendas internacionais nos primeiros meses de implementação.

  • Os volumes de encomendas caíram drasticamente — uma queda inicial de cerca de 11%, passando de aproximadamente 18 milhões de encomendas/mês antes da taxa para cerca de 11 milhões em dezembro de 2024.
  • Nos últimos meses, os volumes de importação já estavam próximos dos níveis anteriores à taxa (15-17 milhões de encomendas/mês).
  • Os varejistas locais de vestuário continuam a ganhar participação de mercado, apoiados por uma melhor execução e investimentos na variedade de produtos e preços, aumentando a eficácia das vendas.

O Goldman Sachs destacou as impressões dos próprios executivos da Renner após conversa com o banco. A administração da Renner reconhece o risco regulatório com a mudança nas “taxas das blusinhas”, mas avalia que o impacto competitivo hoje seria menor do que no passado.

Na visão do Goldman Sachs, mesmo que haja uma flexibilização tributária para importações, a Renner estaria melhor posicionada hoje para enfrentar esse cenário, graças à escala, à integração da cadeia produtiva e à capacidade de reação mais rápida a tendências de moda.

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