Trump Estuda Facilitar Importação de Carne
O governo americano está estudando a possibilidade de facilitar as importações de carne bovina nos Estados Unidos, segundo o jornal The Wall Street Journal. A flexibilização seria temporária, com duração de 200 dias, e visa aliviar a inflação de alimentos nos EUA, que tem sido pressionada pela alta dos preços da carne moída.
Os preços da carne moída acumulam uma alta de 40% nos últimos cinco anos, segundo relatório de analistas do banco Citi no Brasil. Isso se deve, em parte, à redução do rebanho americano, que está no menor nível em 75 anos, de acordo com o relatório do Citi.
Impacto nas Empresas Brasileiras
Processadores brasileiros, como Minerva, MBRF (união de Marfrig e BRF) e JBS, podem se beneficiar com a medida. O frigorífico brasileiro que ganhará mais é o Minerva, dado seu modelo de negócios voltado à exportação. No pregão de ontem na B3, as ações do Minerva saltaram 4,63%, a R$ 4,29.
MBRF e JBS também podem se beneficiar, embora tenham ganhos menores, pois são donas de frigoríficos nos EUA e usam as importações em suas estratégias. Seus papéis recuaram 2,55% e 2,67%, respectivamente, mas ainda assim as duas companhias podem se beneficiar.
Rebanho Menor nos EUA
Os EUA eram os maiores produtores globais de carne bovina desde os anos 1960, mas o mercado doméstico de lá é também o maior do mundo. Nos últimos anos, passou a importar carne bovina, inicialmente cortes de segunda, para fazer carne moída e hambúrguer, focando na produção de cortes nobres.
O Brasil avançou e assumiu o posto de maior exportador do mundo. No ano passado, tomou a posição de maior produtor, conforme estimativas do USDA. Isso se deve, em parte, à redução do rebanho americano, que está no menor nível em 75 anos.
Restrições à Importação
Os EUA restringem as importações usando cotas, ou seja, os países podem vender com tarifa baixa até determinada quantidade; a partir desse limite, há uma tarifa de pouco mais de 26%. O governo Trump pretende suspender temporariamente essa restrição de cotas.
O Brasil entra na cota de “outros países”, de 65 mil toneladas por ano. No entanto, o país vinha exportando para os EUA acima do limite, mesmo com a tarifa maior. Ano passado, foram 126 mil toneladas, na soma de carnes congeladas, frescas e resfriadas.
A flexibilização americana virá em boa hora para os produtores brasileiros, que enfrentam restrições da China, maior mercado para o Brasil. A China anunciou uma política de cotas para melhorar os preços para os produtores locais, o que pode limitar as exportações brasileiras.
- A flexibilização americana pode beneficiar as empresas brasileiras, como Minerva, MBRF e JBS.
- A redução do rebanho americano está no menor nível em 75 anos.
- O Brasil é o maior exportador e produtor de carne bovina do mundo.
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