Tráfico no Rio se Organiza como Empresa com Até 25 Funções
O tráfico de drogas no Rio de Janeiro tem se organizado de forma cada vez mais complexa, adotando estruturas e funções semelhantes às de grandes corporações. De acordo com um levantamento feito pelo GLOBO, com base em informações da Delegacia de Repressão aos Entorpecentes (DRE) e do Ministério Público do Rio (MPRJ), foram identificadas 25 funções distintas que compõem a engrenagem do crime organizado no estado.
Essas funções variam desde gerentes de logística e responsáveis por engenharia de barricadas até encarregados do monitoramento por drones e dos bailes funk nas comunidades. O delegado titular da DRE, Moysés Santana, afirma que o tráfico de drogas funciona como “uma empresa de grande porte”, com uma estrutura funcional altamente segmentada e profissionalizada.
Algumas das funções identificadas incluem:
- Gerentes ou mentores de barricadas, responsáveis pela montagem e reposição de obstáculos nos acessos às comunidades;
- Gerentes de monitoramento por drone, que captam equipes de operadores de drone e uso de jammers e detectores para monitorar a comunidade e a polícia;
- Gerentes de eventos e bailes, usados para lavar recursos de origem ilícita;
- Grupos de combate antiaéreo, que atuam com táticas de guerrilha para impor ao espaço aéreo o mesmo controle territorial que exercem no chão;
- Gerentes de extorsões, responsáveis por organizar cobranças e impor regras econômicas nas áreas dominadas;
- Gerentes de roubos de veículos e cargas, que integram de forma estruturada a engrenagem financeira das facções;
- Responsáveis por túneis, esconderijos ou bunkers, que constroem e mantêm rotas de fuga subterrâneas.
Essa sofisticação do tráfico é resultado da combinação entre poder econômico, domínio territorial e baixa percepção de risco por parte das facções. O delegado Moysés Santana afirma que o mapeamento das funções só se tornou possível porque a DRE passou por um processo de fortalecimento em três pilares: pessoal, tecnologia e atuação operacional.
A estimativa de 25 funções distintas pode ser ainda maior em áreas com domínio consolidado de facções poderosas. O tráfico no Rio de Janeiro tem se organizado de forma cada vez mais complexa, adotando estruturas e funções semelhantes às de grandes corporações, tornando-se uma “empresa criminosa” altamente profissionalizada.
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