Inteligência Artificial e Direitos Autorais: Entendendo o Cenário Jurídico no Brasil
O uso de inteligência artificial (IA) para gerar conteúdo tem levantado questões importantes sobre direitos autorais e responsabilidade legal. No Brasil, a legislação sobre o assunto está em evolução, e é fundamental entender como as regras atuais afetam quem utiliza IA para fins comerciais ou acadêmicos.
A Ilusão da Autoria Automática e o Papel do Prompt
A legislação brasileira define que o autor deve ser exclusivamente uma pessoa física, o que coloca conteúdos 100% gerados por máquinas em domínio público. Isso significa que, embora ferramentas como o Midjourney permitam o uso comercial, elas não criam automaticamente um direito de autoria sob a lei nacional. O esforço de escrever um prompt complexo não é suficiente para garantir a proteção autoral, pois o que realmente pesa é a contribuição criativa na forma final.
- A Lei de Direitos Autorais protege apenas “criações do espírito”, exigindo atividade intelectual humana para existir proteção jurídica.
- O usuário que apenas aperta um botão sem realizar uma edição substancial não pode ser considerado o dono legal daquela obra final.
- A intervenção humana significativa é necessária para ter proteção, editando e imprimindo personalidade no resultado.
Responsabilidade Legal e Uso Comercial Seguro
Ao utilizar IA para fins comerciais, pequenos empreendedores enfrentam o risco do “plágio acidental”, já que os modelos são treinados em bases de dados protegidas. A responsabilidade jurídica recairá diretamente sobre o usuário que utilizou a imagem gerada, se ela for idêntica a um personagem protegido. É fundamental fazer checagens de similaridade e evitar o uso de marcas ou elementos notórios em prompts para minimizar riscos de litígios.
- A responsabilidade civil por infrações de marca ou plágio recai sobre o usuário e não sobre a empresa desenvolvedora da IA.
- A transparência contratual é recomendada para evitar quebras de contrato, incluindo cláusulas que prevejam o uso de ferramentas tecnológicas de apoio.
- A revisão humana é o divisor de águas entre um trabalho seguro e um risco jurídico desnecessário para o cliente final.
O Treinamento das Máquinas e o Avanço da Legislação
O Projeto de Lei 2338/2023, conhecido como o Marco Legal da IA no Brasil, promete trazer maior transparência sobre quais obras foram utilizadas no treinamento dos modelos. A tendência é seguir o modelo europeu, exigindo que as empresas declarem o uso de dados protegidos e permitam o “opt-out” de criadores. A transparência será estratégica para prevenir conflitos futuros e garantir que a base de treinamento respeite critérios mínimos de segurança e ética.
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