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Terapia-alvo quase dobra a sobrevida no câncer de pâncreas e é destaque na ASCO 2026

Terapia-alvo quase dobra a sobrevida no câncer de pâncreas e é destaque na ASCO 2026

O câncer de pâncreas é uma das doenças mais desafiadoras da oncologia, devido à sua capacidade de se disseminar rapidamente e raramente apresentar sintomas iniciais, o que costuma levar a diagnósticos tardios. No entanto, um novo estudo apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) trouxe esperança para os pacientes com essa doença.

A terapia-alvo daraxonrasib quase dobrou o tempo de vida de pacientes com câncer de pâncreas metastático e reduziu em 60% o risco de morte, segundo o estudo fase 3 RASolute 302. Esse estudo acompanhou 500 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratados, e os resultados mostraram que a terapia-alvo elevou a sobrevida global para 13,2 meses, contra 6,7 meses no grupo da quimioterapia padrão.

Como a terapia-alvo funciona

O câncer de pâncreas é um dos tumores mais dependentes da proteína RAS, responsável pela transmissão de sinais celulares que regulam o crescimento dos tecidos. Mutações em RAS impulsionam o tumor em mais de 90% dos casos e estão associadas ao comportamento agressivo da doença. O daraxonrasib é um inibidor oral, administrado uma vez ao dia, que atua justamente sobre essa via.

De acordo com Maria Ignez Braghiroli, médica especializada em tumores do trato gastrointestinal da Oncologia D’Or, “É um passo enorme em termos de terapia molecular e é o primeiro que deve abrir o caminho para muitas outras drogas com esse perfil. É um marco depois de tantas tentativas em múltiplos estudos em adenocarcinoma de pâncreas”.

Impacto no Brasil

No Brasil, o câncer de pâncreas é o nono tumor mais comum, excluindo o câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 13.240 novos casos para este ano. Em 2023, a doença provocou 13.507 óbitos no país. Entre os principais fatores de risco estão idade avançada, obesidade, tabagismo, consumo de álcool, diabetes e pancreatite.

Alguns dos principais pontos do estudo RASolute 302 incluem:

  • A terapia-alvo daraxonrasib quase dobrou a sobrevida global em pacientes com câncer de pâncreas metastático.
  • A sobrevida livre de progressão foi, em média, de 7,3 meses entre os pacientes tratados com o medicamento e de 3,5 meses no comparador.
  • O estudo acompanhou 500 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático metastático previamente tratados.

Esses resultados são promissores e podem mudar o cenário do tratamento do câncer de pâncreas no futuro.

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