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Tarifaço: setor de máquinas se reúne com Alckmin e se diz contra uso da reciprocidade

Tarifaço: Setor de Máquinas se Reúne com Alckmin e se Diz Contra Uso da Reciprocidade

O setor brasileiro de máquinas e equipamentos se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir o tarifaço americano e se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade. A entidade considera que a saída para o impasse comercial passa pela negociação, e não pela revanche.

Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, o mecanismo de reciprocidade não é simples de acionar e depende de etapas como uma consulta pública no Brasil. Além disso, Velloso destacou que a maioria dos setores se posicionaria contra a medida.

O setor de máquinas já havia enfrentado uma medida parecida, derrubada em fevereiro, e agora enfrenta uma taxa extra de 25% sobre as máquinas e demais produtos brasileiros que ficaram fora da lista de exceções. Além disso, pode se somar uma cobrança adicional de 12,5%, ligada a uma acusação de trabalho forçado, o que levaria o total a 37,5%.

Consequências do Tarifaço

Segundo Velloso, a tarifa de 25% é pior porque é uma tarifa para o Brasil, o que tira a competitividade do produto brasileiro em relação ao produto asiático, europeu e de outras origens. No entanto, a taxa extra de 12,5% faria o Brasil perder terreno para o fabricante americano, ainda que não em relação a asiáticos e europeus.

A ressalva é que os Estados Unidos fabricam máquinas e, por isso, competem diretamente com o produto brasileiro. Assim, a medida tem caráter protecionista e seria uma forma de o governo americano contornar uma decisão recente da Suprema Corte do país que limitou o uso de um dos mecanismos anteriores de taxação.

Propostas do Setor

Na reunião com Alckmin, a Abimaq apresentou propostas em duas frentes. A primeira busca baixar custos internos que encarecem o produto brasileiro, o chamado Custo Brasil, com medidas como a redução de tributos que sobram na cadeia de produção e dificultam a exportação, além de mais crédito, seguro e a devolução de impostos pagos por quem produz para vender ao exterior (o drawback).

A segunda frente pede ajustes no Brasil Soberano, programa de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço. O principal ponto é facilitar a entrada de empresas no programa. Velloso citou como exemplo a regra que exige que a companhia comprove já ter exportado aos Estados Unidos em determinado período.

O setor de máquinas tem mostrado fôlego para buscar novos compradores fora dos Estados Unidos, com as exportações de máquinas crescendo 12% no acumulado dos últimos doze meses, em nível recorde. A fatia dos EUA nas exportações do setor caiu para 22%.

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