Sinalização de corte da Selic e o futuro dos juros gordos no Tesouro IPCA+
O mercado financeiro aguardava há meses um arrefecimento das taxas do Tesouro IPCA+, e finalmente, o Banco Central sinalizou o início do ciclo de corte de juros. Isso levanta a pergunta: será o fim da janela de oportunidade para garantir retornos robustos nos títulos públicos de inflação?
Os números mostram uma tendência de queda nas taxas. O Tesouro IPCA+ 2029, que entregava juro real de 8,09% em outubro, agora está em 7,61%. Já os títulos mais longos, como o papel com vencimento em 2050, também apresentam uma tendência de queda, passando de IPCA + 7,12% para IPCA + 6,85%.
Análise de especialistas
Antonio Pontes, diretor de estratégia e sócio da The Hill Capital, afirma que a mudança de postura da autoridade monetária é fundamental, mas faz parte de um contexto maior. “A sinalização do BC representa um catalisador importante, mas, historicamente, a queda das taxas reais depende de múltiplos fatores convergindo simultaneamente”, explica.
Já Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimento, é enfático ao dizer que a janela de oportunidade está ficando estreita. “Quem conseguiu travar taxas acima de 7% pegou uma oportunidade ótima. E já estamos vendo o fechamento dessa janela”, afirma.
Felipe Almeida, sócio do Clube do Valor, reforça a cautela, lembrando que a Selic atual não é o único driver. “É importante explicar que a queda da taxa real no Tesouro IPCA+ depende, no curto prazo, muito mais dos juros futuros do que de quanto a Selic está hoje”, afirma.
O que fazer agora?
Diante desse cenário incerto, a estratégia de manutenção dos ativos torna-se crucial. Patzlaff desencoraja uma venda antecipada por impulso. “Para quem já tem o título, o mais inteligente é não vender agora, se você comprou um título com taxa alta e os juros de mercado caírem, o preço do seu título sobe”, explica.
Antonio Pontes complementa essa visão, lembrando que a volatilidade de curto prazo não anula o ganho contratado. “O importante é entender que a marcação a mercado pode gerar oscilações significativas no curto prazo, mas o retorno real está garantido para quem mantém até o vencimento”, afirma.
- Manter os ativos e não vender por impulso;
- Diversificar a carteira e evitar concentração excessiva em vencimentos muito longos;
- Entender que a volatilidade de curto prazo não anula o ganho contratado.
Em resumo, a sinalização de corte da Selic pode ser o início do fim dos juros gordos no Tesouro IPCA+, mas é importante considerar os múltiplos fatores que influenciam as taxas reais e manter uma estratégia de investimento prudente e diversificada.
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