Acordo entre Israel e Hamas: O Papel de Jared Kushner
Na última sexta-feira, 3, Jared Kushner, genro do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, desempenhou um papel fundamental nas negociações para libertar reféns israelenses mantidos pelo Hamas. Kushner, que atuou como conselheiro de Trump, trabalhou ao lado do bilionário Steve Witkoff, enviado especial do presidente para a paz no Oriente Médio, em uma mansão localizada em uma ilha artificial ao norte de Miami.
Os dois empresários do setor imobiliário montaram um centro de comando para fechar um acordo que representava uma peça central das ambições de política externa de Trump. Eles fizeram e receberam ligações de partes interessadas, incluindo o presidente Trump e membros do gabinete do governo israelense.
Preparação do Cenário para o Acordo
O cenário para um acordo de paz havia sido preparado no início daquela semana, quando o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, concordou com Trump em uma proposta de 20 pontos para buscar um acordo. No entanto, ainda não se sabia se o Hamas aceitaria assinar e concordar em libertar os reféns ou abrir mão do controle do enclave.
Trump alertou os combatentes do grupo que milhares já haviam sido mortos e que muitos outros seriam, caso não aceitassem o acordo. Horas depois, o Hamas anunciou que iniciaria negociações para libertar os reféns.
A Abordagem de Kushner
Kushner aconselhou os israelenses a não se preocuparem com o restante da declaração do Hamas e se focarem na primeira parte, que indicava que os reféns poderiam voltar para casa em breve. Ele disse: “Steve e eu dissemos a Israel: ‘Nós encorajamos vocês a serem positivos também'”.
Kushner, que construiu relações diplomáticas com países árabes enquanto atuava como conselheiro no primeiro mandato de Trump, foi um dos principais arquitetos dos Acordos de Abraão, que normalizaram relações entre Israel e três países árabes.
Ele e Witkoff se veem como negociadores trabalhando para o “negociador supremo” e têm uma abordagem simples: chegar ao “sim” primeiro e resolver os detalhes depois.
- Kushner e Witkoff trabalharam juntos para convencer o Hamas a se desarmar e entregar reféns israelenses capturados após ataques terroristas.
- Eles discutiram estratégias para evitar que o acordo fracassasse e como salvá-lo caso isso ocorresse.
- Kushner costuma elaborar os planos enquanto Witkoff atua ao telefone.
Consequências e Críticas
O acordo entre Israel e Hamas pode encerrar um conflito de dois anos, iniciado quando o Hamas atacou Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando aproximadamente 250 reféns.
No entanto, Kushner recebeu críticas por não estar sujeito às mesmas leis e exigências de transparência de um funcionário público, já que atua como voluntário não remunerado. Além disso, ele mantém amplos negócios no Oriente Médio, o que pode gerar conflitos de interesse.
A Casa Branca negou qualquer irregularidade, afirmando que Kushner é amplamente respeitado no mundo e tem grande confiança e relações com parceiros críticos.
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