Guerra entre EUA e Irã: Objetivos Incertos e Consequências Globais
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã já dura mais de duas semanas, mas o governo americano ainda não definiu claramente seus objetivos. Essa falta de clareza é vista como um problema central pelo cientista político Gunther Rudzit, que afirma que a ausência de um objetivo político preciso é a razão pela qual o conflito não tem fim à vista.
Segundo Rudzit, a multiplicidade de objetivos mencionados pelo governo americano e pelo governo israelense – incluindo mudança de regime em Teerã, fim do programa nuclear iraniano, encerramento do programa de mísseis balísticos e ruptura do apoio iraniano a grupos regionais – é em si um problema estratégico. Quanto mais alvos, mais difícil declarar vitória.
- Mudança de regime em Teerã
- Fim do programa nuclear iraniano
- Encerramento do programa de mísseis balísticos
- Ruptura do apoio iraniano a grupos regionais
Essa falta de nitidez tem consequência direta sobre o campo de batalha. Sem saber o que precisam conquistar, os militares americanos não conseguem calibrar esforço, tempo nem custo. Além disso, a indefinição funciona como combustível para o Irã, que sabe exatamente o que precisa fazer – não perder.
Clausewitz e a Defesa
O pensador prussiano Carl von Clausewitz argumentava que a defesa tem vantagem estrutural sobre o ataque, especialmente em guerras terrestres. O objetivo do defensor é, antes de tudo, sobreviver. No caso do Irã, não precisa vencer – precisa apenas resistir até que os custos para os Estados Unidos se tornem insustentáveis.
O regime iraniano tem um incentivo existencial para resistir até o fim. Todos os que fazem parte do aparato do poder em Teerã sabem que uma mudança de regime significa, na prática, o mesmo destino de Muammar Gaddafi e Saddam Hussein.
Trump e o Conflito
Trump também não tem saída fácil. Com eleições de meio de mandato em novembro, o presidente americano precisaria apresentar à sua base algo concreto – e uma retirada sem conquistas visíveis seria lida como derrota.
O movimento mais recente no tabuleiro militar aponta para uma escalada, não para uma saída. Um navio anfíbio americano com fuzileiros navais deixou a Ásia em direção ao Golfo Pérsico – sinal de que uma operação terrestre pode estar se aproximando.
Este conteúdo pode conter links de compra.
Fonte: link