O Saber Amazônico das Tacacazeiras: Um Patrimônio Nacional
O tacacá, um prato tradicional da Amazônia brasileira, é mais do que apenas uma iguaria deliciosa. Ele é o resultado de saberes tradicionais da agricultura e da culinária, passados de geração em geração pelas tacacazeiras, mulheres responsáveis por seu preparo. Recentemente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) considerou o ofício das tacacazeiras como patrimônio cultural do Brasil, reconhecendo a importância desse prato na cultura brasileira.
O tacacá é feito com tucupi e goma, extraídos da mandioca, jambu, camarão seco e temperado com muito amor pelas tacacazeiras. A forma como elas preparam o alimento é parte fundamental da culinária brasileira, e o Iphan reconheceu a importância desse saber tradicional. Segundo o Iphan, o tacacá é tipicamente indígena, mas a comercialização do prato surge em contexto de crise econômica e falta de empregos formais no século XIX.
Para as tacacazeiras, o prato é uma fonte de renda importante. Maria de Fátima de Araújo, dona de uma barraca de tacacá em Belém, conta que o prato é uma fonte de sustento para sua família. “Significa muito nas nossas vidas, porque é do tacacá que eu tiro para o meu sustento, para os meus passeios, para a formação dos meus netos e para nós nos alimentarmos”, afirma.
A passagem de conhecimento da matriarca às suas filhas é um ponto comum entre as tacacazeiras. Ivonete Pantoja, presidente da Associação das Tacacazeiras de Belém, dá prosseguimento ao legado da mãe. “É gratificante mesmo hoje saber que a gente é guardiões desse nosso prato típico tão procurado por paraenses e turistas”, afirma.
O Iphan lançou um plano para melhorar a infraestrutura nos pontos de venda, contemplando cinco eixos fundamentais: gestão e empreendedorismo, acesso a matérias-primas e insumos, melhoria das condições de comercialização, divulgação cultural e gastronômica, e direito a espaços públicos. Com isso, as tacacazeiras poderão continuar a compartilhar seu saber tradicional e a deliciar os paladares de todos que provam o tacacá.
- Gestão e empreendedorismo
- Acesso a matérias-primas e insumos
- Melhoria das condições de comercialização
- Divulgação cultural e gastronômica
- Direito a espaços públicos
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